quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Resoluções para quando for velho (pode ser já para 2015)

Não casar com mulher jovem.
Não procurar a companhia da mocidade, a menos que realmente assim o desejem.
Não ser irritadiço, nem rabugento, nem desconfiado.
Não fazer pouco do presente, das suas convicções, das suas modas, nem dos homens ou da guerra.
Não ser louco por crianças, mas tão pouco as repelir.
Não contar sempre a mesma história às mesmas pessoas.
Não ser avarento.
Não negligenciar o decoro, ou o asseio, por medo de cair na sordidez.
Não ser demasiado severo com os mais novos, mas ser tolerante com as suas loucuras juvenis e as suas fraquezas.
Não ser influenciado, nem dar ouvidos à coscuvilhice dos criados ou de quem for.
Não ser demasiado prestável no aconselhamento a não ser que seja desejado.
Pedir a alguns amigos que me informem de quais as resoluções que quebro ou negligencio, e onde; e modificar-me de acordo com essas críticas.
Não falar muito, sobretudo de mim.
Não me gabar da minha beleza passada, ou da minha força, ou do meu sucesso com as mulheres, etc.
Não dar ouvidos à lisonja; nem pensar que possa ser amado por uma rapariga jovem.
Não ser categórico nem opinativo.
Não me dispor a cumprir todas estas regras, por receio de não obhservar nenhuma dela.

[Jonathan Swift, Resolutions When I Come to be Old, escrito em 1699]

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