sábado, 22 de agosto de 2015

Anúncios de risco: precisam-se

A Sandra Maximiano põe pouco os pés por estas bandas, por isso temos de procurá-la no Expresso. No seu artigo de ontem por lá, reflecte, a propósito do anúncio da Joana Amaral Dias, sobre a gravidez como justificação para o papel secundário da mulher no mercado de trabalho. Diz ela que a desigualdade de género decorre da maternidade. E eu concordo, mas por motivos diferentes.

Para a Sandra, a divisão sexual do trabalho, que atribui à mulher as tarefas domésticas (quiçá, por oposição a selvagens) e deixa para o homem a responsabilidade de prover sustento, decorre de se considerar a mulher portadora das características óptimas para a função de cuidadora e de uma vocação natural para esse papel. Para mim, resulta da ausência de testes de ADN, cuja invenção permitiu que a paternidade deixasse de ser questão de fé.

Mas indo ao ponto que eu julgo ser o da Sandra. Percebo o seu ponto e subscrevo que haverá quem use o caso de Joana Amaral Dias como argumento de que as mulheres não podem reclamar igualdade de direitos e oportunidades pelo facto de terem um útero. E isso independentemente de aqui se tratar de uma gravidez de risco, o que a coloca no patamar das doenças. No entanto, acho que é precisamente esse pensamento enviesado que torna o anúncio mais necessário. Uma vez disseram-me que o mundo é um lugar injusto e que temos é de aprender a viver nele. Discordo totalmente. Quem repudia preconceitos e desigualdades nunca poderá aprender a (con)viver com a injustiça. E mais anúncios arriscados são precisos para fazer do mundo um sítio melhor.

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