sexta-feira, 21 de julho de 2017

A invasão das couves

Hoje decidi deixar o carro em casa e ir a pé até ao café aqui do burgo almoçar. É uma pequena aventura porque algumas das ruas não têm passeio e é difícil navegar quando parte do itinerário não está planeado para peões, a modos que passo grande parte do caminho a pensar que há uma grande probabilidade de ser atropelada. Na restante parte penso que, como já não estou acostumada a passear na rua ao pé de carros, se calhar, é essa a causa da minha pequena fobia. Vivo tão perto de restaurantes, lojas, e paragens de autocarro, que, decidi há uns meses, devia aproveitar e viver mais à "europeia".

A minha ideia inicial para o almoço era um panini de carne de porco que é qualquer coisa de milagrosa, mas chegada lá pensei que o melhor era optar por uma salada, pois a sanduíche é demasiado grande e não me estava a apetecer carregar metade dela de volta para casa, quando a temperatura excede os 36C. Perguntais vós que raio me deu para ir ao café a pé com tanto calor, mas não tenho grande resposta para vos oferecer: apeteceu-me e fui.

A salada que escolhi foi a salada de super-ingredientes: é super porque tem muitos anti-oxidantes e outros nutrientes bons porque leva couve bebé, quinoa, amêndoas, mirtilos, casca de limão em conserva, e uma vinaigrette de romã. Como eu sou um bocado preguiçosa para preparar vegetais e no super-mercado a escolha é um bocado limitada, tenho de aproveitar as refeições fora de casa. Na minha super-salada a super-verdura era era couve bebé: baby kale.

Desde há coisa de cinco anos que a couve, em particular kale, invadiu a América, a modos que mais depressa encontram uma salada de couve do que uma salada de rúcula ou agrião. Pela minha parte, adoro rúcula e agrião (notem que a minha comida preferida quando era criança era salada de alface), só que raramente encontro a não ser que vá ao super-mercado asiático e Chinatown ainda fica longe de minha casa.

Não sei exactamente como aconteceu a pancada da couve nos EUA, mas lembro-me de, em 2014, o Emeril Lagasse ter feito caldo verde num dos seus programas de TV e o caldo verde, ou Portuguese Kale soup, como os americanos lhe chamam, andou nas bocas do mundo durante uns meses e os jornais americanos andavam cheios de receitas de caldo verde. É que tem poucas calorias e muitos nutrientes e, na altura, com as campanhas da Michelle Obama, andava tudo maluco com melhorar a dieta. É pena que ninguém em Portugal se tenha lembrado de enlatar o caldo verde para exportar; afinal dá para comprar Italian wedding soup enlatada.

Agora há couve em gelados, sopas, pizza, saladas, smoothies e batidos e até chips de couve, que me dizem são melhores do que batatas fritas, but I beg do differ. Como prova da obsessão, deixo-vos a foto da minha super-salada. Acho que rúcula teria funcionado melhor, mas essa moda ainda não chegou cá...

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