segunda-feira, 31 de julho de 2017

Presa numa rotunda

O discurso do Governo relativamente ao desempenho da economia portuguesa é de que a economia mudou fundamentalmente e está agora num caminho sustentável. O PIB cresce a torto e a direito, o desemprego desce -- está agora no nível mais baixo de há 11 anos; mas, há 11 anos, quem estava no poder era o PS, logo por que razão permitiu que o desemprego aumentasse? Mas, pronto, está tudo bem, rejubilemo-nos porque agora somos governados por gente muito mais competente do que a que nos governava há 11 anos.

No entanto, os bancos continuam com crédito mal-parado, as vendas de carros a crédito continuam a subir, e agora temos a expectativa dada pelos governantes e partidos que os apoiam de que toda a gente merece ter carro em Portugal. Ora, se os bancos estão com crédito automóvel mal-parado, é sinal de que se compraram carros a mais, ou seja, de que os bancos emprestaram dinheiro para comprar carro a quem não deviam. Qual a solução?

Parece que temos duas soluções: a primeira é vender crédito mal-parado a hedge funds estrangeiros -- se estão à espera de os investidores estrangeiros perderem dinheiro com Portugal indefinidamente, que é a condição necessária para esta estratégia funcionar a longo prazo, desenganem-se; a segunda é aumentar os subsídios de quem tem menos recursos para que possam pagar os carros a que têm direito e, dessa forma, também se mantêm os bancos viáveis -- esta estratégia requer que o estado tenha acesso a financiamento.

Mas qual a diferença entre subsidiar pessoas para ter carro e subsidiar bancos que emprestam dinheiro a pessoas que não têm condições para pagar o empréstimo do carro, que é o que se faz quando os bancos vão ao ar? É a mesma coisa, pois acaba-se por viabilizar o mesmo comportamento insustentável para a economia.

Se isto é a forma como a economia portuguesa dá a volta, presume-se que a economia está presa numa rotunda...


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