sábado, 21 de julho de 2018

Vestir-se e despir-se

No sítio onde trabalho há um código de vestuário: temos de nos apresentar de forma profissional. No entanto, ninguém liga muito à letra do que é aparência profissional. Há algumas senhoras que se vestem como teenagers e um dos meus passatempos é olhar para elas e ver que artista pop gostavam quando eram novas. Por exemplo, houve uma senhora, que já não vejo há tempo, que se vestia e tinha um corte de cabelo como a Tiffany, aquela que cantava "I think we're alone now..." Outras são mais modernas e em vez de música talvez sigam blogues de moda, nos quais mangas com folhos e ombros descobertos estão muito em voga.

O que eu gosto mesmo é saias compridas e também ando entusiasmada com vestidos e bastante cor. Não aprecio fatos, nem saias travadas, o que é problemático quando vou a entrevistas de emprego. Por exemplo, para a entrevista para este emprego, que foi em Fevereiro -- Inverno, portanto --, levei umas calças de fazenda de lã, uma camisola de caxemira, e um casaco comprido de fazenda de lã vermelho com flores brancas (um tecido italiano). Quando uma amiga minha me viu depois da entrevista disse-me que nunca se vestiria assim para uma entrevista, preferia ir de preto. Eu suponho que, se eu vestisse uma coisa da qual eu não gostasse, ficaria mal-humorada e tal iria reflectir-se na minha cara durante a entrevista. Em vez disso, como adoro aquele casaco e faz-me mesmo tão feliz, suponho que conversar comigo quando visto se torna mais agradável.

Esta semana no trabalho algumas das coisas que usei foram um vestido maxi amarelo que adoro; um vestido curto de seda, muito colorido, combinado com umas calças de perna larga; uma saia maxi com folhos com uma túnica de malha. São tudo peças das quais eu gosto muito e me fazem sorrir. Os meus colegas devem pensar que eu sou meio-maluca com as minhas escolhas; ou talvez não, porque frequentemente ouço comentários a dizer que gostam de uma peça ou outra que eu estou a usar.

No entanto, fiquei surpreendida com um comentário que não esperava. Uma colega perguntou se eu andava à procura de homem. Fiquei tão desconcertada com aquela observação, com aquele sabor amargo na boca -- não acho que ser mulher seja uma limitação, mas é como se algumas mulheres vivessem em função dos homens. E dizerem-me isto logo a mim que sou tão arrogante e narcisista e gosto tanto de ser assim.

Para além disso, uma mulher deve vestir-se para ela e despir-se para os outros.

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