quarta-feira, 21 de julho de 2021

Já nem é cómico

De há uns anos para cá, tenho receio de ir a Portugal, até antes da pandemia. Estando o país a empobrecer -- esqueçam a ideia de estagnação porque, se houvesse estagnação, não haveria crescimento da dívida -- a ideia de cativações era-me bastante assustadora por duas razões: a primeira porque foram feitas às cegas e a segunda porque toda a gente foi na onda e não havia oposição, nem escrutínio político. Então, imaginava eu que ia aí, tinha um acidente e ia parar a um hospital e não havia equipamento, ou pessoal para cuidar da minha pessoa. É que nos EUA hospital há sempre, até há helicópteros para lá chegar mais depressa. Pode custar uma fortuna, mas entre estar vivo com conta enorme a pagar ou morto sem conta, acho que prefiro a primeira hipótese. 

A notícia do Primeiro Ministro hoje, a dizer que está a contar com "a libertação total da sociedade" no fim do verão só alimenta mais os meus receios. É que ele não faz ideia nenhuma de às quantas anda, não é verdade? Depois de quase ano e meio de pandemia ainda andar a "prender a sociedade" só me diz que vêm aí cativações ao quadrado, sim porque a bazuca não é suficiente para pagar tudo. Quanto mais se adiar o funcionamento normal da sociedade e da economia, maior a conta. Note-se que uso a palavra normal de propósito porque temos um novo normal, logo já tivemos bem mais de um ano para aprender a viver com isto. 

Finalmente, um governo que todos os anos se contorce para celebrar a liberdade do 25 de Abril de 1974 admite que a sociedade que governa não é livre e ninguém sai para a rua. Não é cómico, é apenas prova de que os portugueses não sabem português.

2 comentários:

  1. Asseguro que pode vir a Portugal à vontade, cuidados de saúde são assegurados gratuitamente, contanto que se faça acompanhar do seu Cartão Europeu de Seguro de Doença.
    Quanto ao resto, de interpretações literais estão as redes e a blogosfera cheias. É evidente que não há restrições da liberdade mais do que as estritamente necessárias para preservar o bem maior da saúde pública. Portanto... menos.

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  2. O que é "o funcionamento normal da economia" durante uma pandemia? Se já se habituou aos mortos ao quadrado, deveria preparar-se para mortos ao cubo, elevados a quatro, a oito, a dezasseis, etc. Que fossem só os seus mortos (seus familiares e amigos), já agora.

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