segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O esquecimento da procura da imortalidade

Antes de Sócrates (o filósofo grego), achava-se que o Homem podia alcançar a imortalidade através de obras, feitos e palavras. Só os melhores, que constantemente provam ser os melhores, e que perseguem a fama imortal são realmente humanos; os outros, satisfeitos com os prazeres que a natureza lhes propicia, vivem e morrem como animais. Até que a partir de determinado momento os filósofos gregos começaram a desconfiar, muito sensatamente, de que nenhuma obra saída de mãos mortais pode ser imortal. Descobriram então o eterno. O eterno, ao contrário da experiência do imortal, não corresponde a qualquer tipo de actividade humana. A queda do império romano deitou por terra qualquer ilusão sobre as possibilidades da imortalidade. Sobrou a eternidade, pregada pelo evangelho cristão. Passaram séculos. Na era moderna, a acção substituiu na hierarquia tradicional a contemplação, que, desde Platão passando pelos teólogos cristãos, era considerada a mais alta capacidade do Homem. Mas nada fez sair do esquecimento a procura da imortalidade, que outrora fora central para os gregos.


PS: Lembrei-me de escrever este post depois de ver o filme “The fault in our stars”.

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