terça-feira, 13 de outubro de 2015

Falhas de lógica

Joris Luyendijk está muito preocupado com o Nobel em Ciências Económicas, que não é um verdadeiro Nobel. Diz ele, no The Guardian, para não nos iludirmos--lá porque Economia tem um Nobel onde se menciona a palavra ciência, não é uma ciência a sério. E como tal, não há razão nenhuma para não haver um Nobel da Psicologia, da Antropologia, Sociologia, etc. Os Nóbeis da Física e da Química, esses sim, fazem sentido.

Pintem-me de idiota, mas este gajo é doutorado e não tem uma ponta de noção das falhas lógicas do que diz.

Se apenas ciências duras merecem Nóbeis, então não se atribua um à Literatura. E a Medicina é ciência com a exactidão da Física? Se é, expliquem-me porque é que nem toda a gente que recebe o mesmo tratamento reage da mesma maneira. Leiam este artigo acerca da forma como se testam antibióticos. Esta crítica da Medicina é comparável às críticas que se usam para para deitar a Economia abaixo. Os agentes/bactérias comportam-se de maneira diferente em situações diferentes.

Ah, mas o Prémio de Fisiologia ou Medicina não se chama Prémio de Ciências Médicas. Se fosse, teríamos esta discussão acerca da Medicina? Há quem use o termo "Ciências Médicas". Até há um jornal científico com o nome. Onde estão as vozes a argumentar que não há razão para se utilizar o termo "Ciências Médicas"?

Então apenas o incomoda que se diga "Ciências Económicas"? Porque é que o incomoda? Amos Tversky e Daniel Kahneman eram psicólogos e receberam Nobéis por Ciências Económicas. Não ouvi nenhum economista insultá-los por eles não serem verdadeiramente "economistas". John Nash ganhou e era matemático--alguém o insultou? E notem que o prémio diz "Ciências Económicas", não diz "Ciência Económica", logo não é adequado dizer que apenas se refere à Economia, ou seja, se calhar aquele prémio é onde se enfiam coisas que não cabem nos outros. Um gajo doutorado não sabe a diferença entre plural e singular.

Não me venham dizer que os economistas são arrogantes, pensam que são melhores do que toda a gente. Nós não somos melhores, mas também não somos bombo da festa dos outros. Se querem humilhar economistas, humilhem; mas nós reservamos o direito de nos defendermos e de exigirmos que os argumentos lógicos que são usados para nos criticar sejam honestos e transversalmente aplicados a outras disciplinas.

E já agora, passem vários dias num mercado de flores ou de agricultores e vejam a dinâmica de preços e quantidades vendidas. O resultado de cada dia é aleatório ou previsível?

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