domingo, 18 de outubro de 2015

Vamos às casas...

Hoje quero convidar-vos a vir comigo num dos meus passatempos preferidos: ver as casas dos outros.

Realiza-se este fim-de-semana e no próximo The 2015 Bellaire Fall New Home Showcase. Isto é uma tour de seis casas que foram construídas recentemente em Bellaire. A cidade de Bellaire é uma pequena cidadezinha dentro da cidade de Houston. Houston é uma cidade tão grande, que tem cidades mais pequenas dentro dela.

Primeiro vou explicar-vos o conceito deste tipo de eventos. É comum haver tours de casas durante o ano e por várias razões: as casas foram construídas recentemente, as casas estão decoradas para o Natal, as casas têm jardins bonitos, etc. Para ir visitar as casas, paga-se uma entrada. Neste caso, eu paguei $15, que para vocês terem noção do valor, é o preço de uma refeição num restaurante barato, mas não tipo McDonald's.

O dinheiro da entrada é usado para fins não-lucrativos, no caso deste evento está a angariar-se fundos para construir um espaço verde, o Evelyn Park. Por falar no parque, há oportunidades de fazer voluntariado na organização que está a gerir o parque--imaginem se isto fosse em Portugal, andava tudo a dizer que os voluntários do parque andavam a tirar o emprego de alguém. Não é nada disso, é uma questão de eficiência, pois há pequenas actividades de curto prazo em que não faz sentido contratar uma pessoa para as fazer.

Por exemplo, as pessoas que estão à porta das casas da tour a vender bilhetes. É uma coisa que dura dois fins-de-semana, logo usa-se voluntários porque é mais eficiente e ajuda a estabelecer um sentimento de comunidade. Não se pode contribuir para a sociedade apenas por troca de dinheiro; o altruísmo tem de ser incentivado também. E isto são actividades muito importantes para os jovens, os reformados, etc. Até para desempregados é importante porque é uma forma de estes encontrarem pessoas num encaixe profissional, o que pode colocá-los em contacto com outros profissionais e potenciais oportunidades de emprego.

Então venham lá ver casas comigo. Até fiz estes dois vídeos para se sentirem mais incluídos. E vão ter uma surpresa quando ouvirem a música que eu escolhi para o segundo vídeo.

Aqui está a primeira casa que eu vi. Não tem "backyard", logo não é nesta que vocês podem ter uma horta com couves para a sopa. É considerada uma construção verde/ecológica por causa dos materiais que foram usados e da forma como foi construída. Esta casa é "pequena", comparada com as outras (tem um pouco mais de 375 metros quadrados) mas tem um elevador que dá acesso aos três andares. É uma casa que seria boa para alguém já com alguma idade que quisesse viver num sítio mais pequeno, que necessite de menos cuidados com o jardim.

Esta casa faz parte de uma pequena urbanização e foi a primeira casa a ser construída, logo é a casa modelo que vai ser mostrada para se tentar vender as outras. Reparem que a casa está decorada, apesar de não estar ocupada. A bem dizer, eles terminaram de plantar as o jardim e de arranjar a mobília na sexta-feira. Como eu passo por aqui todos os dias para ir para o trabalho fui acompanhando o progresso. É normal nos EUA fazer-se um "staging" da casa para a tornar mais atraente para ser vendida e para dar uma melhor ideia da proporção das divisões relativamente ao tamanho da mobília.

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A segunda casa que eu vi, na Pine St., era enorme e foi "custom-built". Tem mais de 700 metros quadrados, e o pátio, que é coberto, tem uma cozinha e até uma TV. Esta casa tem seis quartos, sete quartos de banho, e dois meios-quartos de banho. Acho que eles gastam mais num mês para manter o stock de rolos de papel higiénico do que eu num ano.

Que tipo de pessoa mora aqui, perguntam vocês? Este casal era jovem, ela deve ter vinte-e-tal anos e ele isso ou trinta-e-poucos, e têm duas crianças, se não estou em erro. Não faço ideia do que fazem, para além de gastarem dinheiro em casas enormes. Ah, não se iludam, eles não são ricos; se fossem ricos, estariam a viver em River Oaks, numa casa mais pequena, mas provavelmente mais cara. O terreno desta casa é tão grande que constitui uma grande parte do valor da casa. Em 2014, a casa antiga que lá estava, que tinha pouco ou nenhum valor porque foi deitada abaixo para esta ser construída, foi avaliada em $782.550 e os impostos de propriedade foram de $18.258-ver Zillow. Notem que o Texas não tem imposto de rendimento.

A Zillow diz que a casa foi vendida por $2 milhões em Julho de 2015. Se os donos deram 20% de entrada, estima-se que o valor da hipoteca seja de $7,256/mês. O preço inicial desta casa era de $3,2 milhões, mas este construtor usa uma estratégia de marketing em que cobra de preço o custo mais uma margem, logo as pessoas sabem quando custou a construir e qual a margem de lucro do construtor. E se escolherem materiais mais baratos, podem reduzir o custo.

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Não pensem que eu vivo em casas assim. Quando andava a visitar estas casas -- até me perdi na segunda --, senti que faltava qualquer coisa. Depois reparei o que era: era aquela sensação de ninho. Sabem, entrar em casa, olhar para a estante, puxar um livro e ler uma coisa que nos dá imenso prazer? Ou ver o naperon que a nossa mãe fez. Nestas casas, para se encontrar livros, temos de ir ao quarto das crianças. Tudo o resto está cheio de tchotchkes... Eu nem devia dizer isto porque a Raquel Varela ainda diz que eu gosto de "piroseira", mas eu gosto de viver perigosamente para além de piroseiramente.

Bem, fiquem entretidos, que eu tenho mais casas para visitar neste resto de Domingo. Ciao...

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