domingo, 31 de março de 2019

Os virgens e a Madonna

Com este episódio do cavalo, ganhei mais respeito pela Madonna e perdi respeito pelos portugueses. Em pouco tempo, a Madonna ilustrou exactamente como Portugal funciona: nuns sítios predomina o favorzinho a qualquer custo, noutros o desfavor; os critérios são completamente aleatórios e ao sabor dos autarcas. Eis Portugal no seu melhor.

Lamento informar os meus caríssimos conterrâneos que tudo tem um preço, mas a decisão de o pagar é que não é sempre afirmativa. É óbvio que a Madonna não iria achar piada a que lhe dissessem "Não", invocando as razões que foram invocadas e da forma como foi feito. Reparem que em "Like a Virgin", vídeo filmado em Veneza em 1984, numa altura em que a artista não tinha o estatuto que tem hoje, há um leão "à solta".

Se querem atrair investimento internacional, têm de aprender a trabalhar com o mínimo de profissionalismo. É legítimo que achem que o risco de levar um cavalo para um palácio é elevado, mas expliquem o vosso ponto de vista de forma a que as pessoas vos entendam, ou seja, metam um preço na coisa. Digam que querem que a equipa da Madonna apresente pareceres técnicos reconhecidos internacionalmente de que a actividade em questão não irá causar danos. Depois exijam que ela obtenha um seguro que cubra todos os danos que possam acontecer, deixando a propriedade em condição semelhante à encontrada. Digam também que querem ver o orçamento de obras em caso de danos tipo "worst case scenario" e querem que tais obras envolvam especialistas de renome internacional e materiais de qualidade equivalente à que tem a propriedade.

Obviamente, se o custo da actividade for muito elevado, a seguradora irá dizer não a Madonna. Se o risco for comportável, todos os cuidados serão tidos para que os danos sejam minimizados. Que eu saiba, a Madonna não é conhecida por destruir propriedades a seu bel prazer, logo do ponto de vista dela a forma como agiram é basicamente um insulto pessoal porque não há fundamento técnico, apenas impressões pessoais.

E agora vamos lá a ver quantos palácio não andam por aí a cair aos pedaços sem a ajuda de Madonna e as virgens ofendidas de Portugal andam aí a engonhar, a eleger políticos que mantêm o país estagnado, sem que se crie riqueza para os manter...

Adenda: Outro aspecto a considerar com o cavalo e a Madonna é a segurança da artista. Imagine-se que o chão efectivamente se partia e a artista se magoava. Quem era responsável? O dono da propriedade. Ainda bem que o Basílio Horta disse não, não é? Não, não é, porque ele disse não porque lhe deu na telha. Podia ser uma pessoa que lhe desse para dizer sim, como foi o caso de Fernando Medina com o estacionamento em Lisboa. E duvido que, se he dissessem sim, incluíssem uma cláusula no contrato a dizer que se desresponsabilizavam de todos os acidentes que acontecessem a Madonna enquanto na propriedade.

Ter Madonna em Portugal é um enorme risco porque se lhe acontece alguma coisa, ela mete um processo em tribunal por danos e convenhamos que ela vale muito dinheiro. Imaginem que ela acaba em frente de juizes tipo Neto de Moura et al. como vítima. Ia ser giro, ia...

Portugal não é um país preparado para assumir este tipo de risco, nem sequer os responsáveis se apercebem que têm de se precaver contra os mesmos. As coisas não correm pior porque a probabilidade de desastres é baixa por definição, mas a lei dos grandes números não perdoa.






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