quinta-feira, 9 de abril de 2015

Três mil milhões de anos

Li hoje, na Bloomberg, um artigo acerca da carta aos accionistas que Jamie Dimon escreveu e que foi publicada na quarta-feira. Nessa carta, Dimon diz que a volatilidade observada em 15 de Outubro do ano passado nos yields dos certificados de tesouraria dos EUA, que foi de quase 0.4%, é um evento que só acontece uma vez em cada três mil milhões de anos. Ele vê isso como indicação de que estamos perante um clima de alto risco, pois a próxima crise pode ser agravada por uma escassez de certificados de tesouraria.

Eu fiquei um bocado parva quando li a coisa dos três mil milhões de anos. Como é que se calcula uma coisa destas? Só usando uma distribuição probabilística teórica é que isto acontece. Notem o contexto disto: o homem existe há, talvez, sete milhões de anos e, em 2014, saiu-nos a sorte grande na variação dos yields dos certificados de tesouraria americana, um país que foi fundado em 1776. Se o evento não tivesse acontecido, continuaríamos a presumir que a probabilidade teórica é uma boa indicação de risco?

Pergunto-me como é possível estes bancos enormes, que têm dinheiro para comprar bons cérebros, continuarem a invocar os resultados de distribuições teóricas, quando foi exactamente essa uma das causas da má gestão de risco que nos levou à crise de 2008. Não seria melhor presumir que a probabilidade deste milagre nas yields dos certificados de tesouro seria muito mais alta do que a distribuição teórica indicava? OK, OK, talvez no contexto da idade do universo isto faça mais sentido, especialmente porque muitos dos cérebros de Wall St. vêm das ciências duras e dizem sempre que nós, economistas, temos uns modelos fraquitos.

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