quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Todos os regimes caem

Roma começou por ser uma monarquia. Depois transformou-se numa república. No topo da hierarquia, havia dois cônsules com poderes iguais, eleitos anualmente e que não podiam ser reeleitos por um período de 10 anos; um senado, com 600 e tal senadores. Durante cerca de 300 anos a república funcionou bem, com os seus poderes e contrapoderes, chegando a ter no seu final de vida cerca de um milhão de cidadãos e, portanto, de eleitores. Entretanto, o império foi crescendo e a república começou a tremer. Os generais adquiriram um enorme poder, com os seus exércitos de milhares de soldados. Para controlar este poder ameaçador, criou-se a regra de os exércitos estacionarem às portas de Roma, apenas podendo fazer as suas marchas triunfais dentro da cidade após aprovação pelo senado. Durante muito tempo esta regra foi cumprida e respeitada. Até que apareceu Júlio César (100 a.C.- 44 a. C.). Como é sabido, ao passar o rio Rubição este génio político e militar desafiou de forma temerária as regras e desencadeou uma guerra civil, que ganharia a Pompeu na batalha de Farsália em 48 a.C.. Até essa famosa batalha, os feitos militares de César não tinham comparação possível com os de Pompeu. O que era, afinal, a Gália comparada com as conquistas no Oriente do seu rival? A história é conhecida. César ganhou o título de “ditador perpétuo”. Formalmente, a República manteve-se, mas tudo era supervisionado pelo ditador. Nos Idos de Março de 44 a.C. César foi assassinado no Senado com 23 punhaladas. Muitos dos conspiradores eram-lhe próximos, como Décimo Júnio Bruto Albino (general, conselheiro e amigo íntimo de César) ou Marco Bruto (filho de Servília, a mais importante amante de César). O povo não reagiu como os conspiradores esperavam. César era um político e governante populista ou popular, adorado e idolatrado pelo povo e pelas suas tropas. A liberdade que os golpistas diziam querer devolver a Roma não comoveu a populaça. Voltaram as guerras civis.
César achava há muito que Roma tinha um problema institucional. A república funcionava bem quando Roma era uma cidade-estado, mas não agora que se transformara num império. Era necessário centralizar o poder num só homem, para garantir a ordem e a estabilidade. Havia quem achasse que o problema de Roma não era institucional, mas sim moral. Era o caso de Cícero. Antes, dizia o célebre orador e político, os dirigentes quando tinham de tomar decisões perguntavam sempre primeiro: o que é melhor para Roma? Desgraçadamente, o “individualismo” tomara conta dos homens e estes passaram a pôr os seus interesses à frente dos da República. O que Roma precisava era, por conseguinte, de uma regeneração moral. Fosse qual fosse o problema, institucional ou moral, a república morreu e nasceu o império com Gaio Octávio Turdo (sobrinho de César) e futuro Augusto. E durante muito tempo o “Império” também funcionou bem. Até ao dia em que caiu nas mãos dos bárbaros. A Europa afundou-se por séculos na idade das trevas.
Moral da história? Todos os regimes caem. Até Roma.

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