quarta-feira, 31 de março de 2021

Version 3.330

Estamos sob um aviso de perigo de inundações repentinas, mau tempo, portanto. Há 10 anos, quando me mudei para Memphis, houve grandes inundações e, no trabalho, os clientes que nos telefonavam tinham o cuidado de perguntar se estávamos bem. Acho que foi mais exagero da comunicação social do que outra coisa.

Amanhã de tarde vou tomar a vacina e, como o tempo vai estar melhor, espero que não cancelem novamente. O NYT noticiou que as autoridades americanas estão muito preocupadas com a pandemia porque o número de casos está a aumentar novamente, apesar da vacinação estar a progredir a bom ritmo. Aconselham a continuarmos a gerir o nosso risco e a minimizar os contactos sociais. 

Penso que se chega a uma certa altura em que os que restam para ser infectados são os mais cuidadosos, que por isso ainda não foram. Seria engraçado fazer um estudo das características das pessoas que ainda não foram infectadas: quem são (idade, sexo, tipo de sangue, pré-condições médicas, etc.) e que comportamentos têm (profissão, onde trabalham, com quantas pessoas vivem, etc.).  

Foi um enorme erro as autoridades não investirem mais em análise de dados de forma mais organizada e planeada. Houve tempo de pensar em como proceder e com essa informação podia-se ter gerido melhor o movimento das pessoas de forma a minimizar o impacto na economia. Que os EUA tenham falhado nesse aspecto é explicado pela falta de apetite da administração anterior por estudar assuntos, mas era essa a vantagem que a UE podia ter tido. Em vez disso, andam todos à turras.

terça-feira, 30 de março de 2021

Version 3.329

Das minhas relações pessoais nos EUA, parece-me que eu devo ser das últimas pessoas a levar a vacina. Não conheço ninguém que se recuse a tomar a vacina, mesmo nos libertários. Obviamente, que as minhas amizades não são representativas da população americana, logo nada se conclui e apenas se registra este facto engraçado. 

No fim-de-semana, perguntei às minhas amigas de Houston, TX, na nossa reunião pessoal, como é que era o processo de apanhar a vacina lá, dado que estava curiosa acerca do processo de identificação. Todas as que levaram a vacina disseram que tiveram de mostrar identificação umas quatro vezes até serem vacinadas, mas também disseram que aquele serviço não era da cidade, ou seja, é talvez do governo federal ou do estado, logo as regras podem ser diferentes.

Isto é relevante por causa dos imigrantes ilegais. Há certas cidades e condados nos EUA que se recusam a fiscalizar a imigração ilegal porque dizem que tal tarefa é da jurisdição do governo federal na fronteira. Logo a lógica é que se a pessoa está dentro do país, então tem direito de estar no país, pois se não tivesse, o governo federal tê-los-ia apanhado à entrada. É um tipo de argumentação que é muito usado pelos americanos.

Talvez seja por isso que o sítio onde eu vou levar a vacina não esteja muito preocupado com pedir a identificação de quem a recebe. Negar vacinas a quem já está dentro do país não serve os interesses de ninguém.

segunda-feira, 29 de março de 2021

C/O Tory Burch

It appears that the City of Póvoa do Varzim, Portugal, where the sweaters come from, is proud that said sweaters are used by and inspire designers. In fact, a Portuguese designer in 2006 even copied some of the decorations for his own brand.

"A destreza neste tipo de trabalhos levou à diversificação de peças, daí surgindo os gorros, as luvas, as meias, os cachecóis, as carteiras… Bordados ou com pontos, estes artigos, para além da sua utilidade, entraram facilmente na moda pela sua beleza. Atualmente, a versatilidade deste produto tem atraído criadores do mundo da moda, inspirados por tendências revivalistas e por temáticas de raiz mais popular. Em 2006, o estilista Nuno Gama, na sua coleção de camisolas de lã, utilizou motivos usados na nossa camisola, aplicados por bordadeiras poveiras, segundo as técnicas tradicionais."

Source, 3/28/2021

Version 3.328

Apesar do mau tempo de ontem, hoje esteve um dia bonito, se bem que para o fresco. O ar ontem estava mesmo pesado e quente, sinal que devia haver uma corrente de ar quente que não tinha como subir porque tinha ar frio por cima, uma das causas dos tornados. Quando acordei, tinha várias mensagens de pessoas que queriam saber se tudo estava bem. Até um antigo colega meu na Turquia escreveu para se certificar da minha segurança.

Vi no Facebook, que a Tory Burch tinha emitido um pedido de desculpas ao povo português e que um monte de portugueses entendeu tal como carta branca para os insultar. Portugal continuará a ser pobre e mal-educado. O mundo é grande; não é expectável que a Tory Burch conheça todas as indumentárias tradicionais de Portugal. Nem os portugueses conhecem. Eu nunca tinha visto a tal camisola e já viajei bastante em Portugal.

O mais engraçado é que eu vivi em Stillwater, OK, que tem um restaurante cujas t-shirts são muito famosas. O Eskimo Joe's é um restaurante famoso pelos hambúrgueres e pelas batatas fritas com queijo derretido. É tradição ir-se a esse restaurante e comprar-se uma t-shirt. Quando viajo, frequentemente encontro pessoas com as t-shirts do restaurante e até as já vi em Portugal. Stillwater, OK, é uma cidade muito pequena, que está no mapa por causa da universidade e, mesmo assim, o restaurante consegue ter uma visibilidade mundial. Se há coisa da qual os americanos percebem é marketing.

Durante a manhã, enquanto bebia mimosas com a minha vizinha, mostrei-lhe a fotografia da tal camisola que o LA-C tinha posto no Facebook. Suponho que é a foto de várias pessoas locais da Póvoa do Varzim, uma foto que não inspira ninguém a comprar a dita camisola, mas a minha vizinha achou a foto portuguesa da camisola muito engraçada. E depois mostrei o que a Tory Burch tinha na página de Internet para vender a dita camisola,:uma modelo negra vistosa, na qual a camisola caia bem e parecia confortável.  Até havia um vídeo da rapariga a andar com muito estilo. 

Se a memória não me falha, foi na FEUC que vi uma vez a Ana Salazar, a estilista portuguesa, comentar que não achava a roupa do Ralph Lauren nada interessante, pois o estilo dele dava para se comprar na feira. Efectivamente, pelas feiras e mercados de Portugal, o mais frequente é ver roupa a imitar a roupa americana, com logotipos da Nike, Adidas, Ralph Lauren, etc. Os portugueses já andam há anos a roubar as marcas americanas e essas são mesmo marcas patenteadas e com copyright. Mas o governo americano nunca, nem uma vez sequer, ameaçou uma empresa portuguesa.

Duvido muito que a Tory Burch volte a encomendar coisas em Portugal e não me admiraria que outras marcas pensassem duas vezes antes de fazer negócio aí. O que há mais são empresas têxteis pelo mundo inteiro e até as há no México, onde podem encomendar uma baja mexicana a sério. 

Mas será interessante os portugueses chegarem ao tribunal para processar a Tory Burch, quando não processaram o Nuno Gama em 2006, quando usou motivos da dita camisola poveira sob a sua própria marca.


domingo, 28 de março de 2021

Version 3.327

Estamos sob uma tempestade de trovoada imensa e até avisos de tornado. A parte do Tennessee não costuma ter muitos estragos, mas o Arkansas é mais aberto e os tornados gostam de lá passar. Desta vez, as sirenes do condado não soaram todas ao mesmo tempo como acontecia há 10 anos quando me mudei para cá. Finalmente, começaram a dar avisos de tornado e a accionar as sirenes apenas nas localidades onde o tornado está. Na televisão também mostram o caminho do tornado e a que horas é esperado em cada localidade. É como se fazia em Oklahoma há 25 anos. O progresso tarda mas não falha.

Devido às tempestades, hoje de manhã recebi um email a cancelar a minha vacinação contra Covid, pois estavam preocupados com a segurança das pessoas durante a tarde, dado que era esperado o mau tempo. Marquei nova vacina para Quarta-feira, mas desta vez vou tomar mesmo aqui na minha zona, em vez de ter de ir a Midtown. Um dos meus colegas disse-me que este sítio é muito bom, pois demora uns 10 minutos para chegar e tomar a vacina. Para além de ser rápido, não tem burocracia porque querem vacinar o maior número de pessoas. Enviei a informação para uma amiga minha que é imigrante ilegal e disse-lhe para ela se vacinar, que não era preciso mostrar papéis nem nada. É só fazer a marcação e aparecer. Espero que ela vá e leve a filha. 

Nos primeiros 100 dias da administração Biden, o objectivo era ter 100 milhões de pessoas vacinadas, mas esse número foi aumentado para 200 milhões há uns dias. Parece que está tudo a correr bem e as pessoas estão muito entusiasmadas com a vacina. Não sei se os malucos anti-vacinas já aprenderam a lição, mas se tivessem maior capacidade intelectual não seriam anti-vacinas, essa é que é...



sábado, 27 de março de 2021

Version 3.326

Então a Tory Burch tem uma camisola portuguesa e o governo português decidiu processá-la. Logo agora, a meio da pandemia, o governo está preocupado com uma camisola, em vez de andar a tratar das vacinas. É uma questão de prioridades. Tem piada que o Ministro Álvaro tenha mandado monetizar as coisas portuguesas, como o pastel de nata e toda a gente gozou com ele. Depois de Antonio Costa tomar posse, a preocupação foi afastar-se das ideias do governo anterior. Portugal ia crescer com reposição de salário para funcionários públicos e redução da carga horária. Não só não saiu da cepa torta, como continua à espera das transferências da UE. Pode ser que se tenha poupado uns trocos nas vacinas para pagar ao advogado. 


sexta-feira, 26 de março de 2021

Version 3.325

Ontem falhei e não publiquei. Penso que foi a única vez até agora. Mas não falhei o teste de condução ontem de manhã. Levantei-me perto das 6 das manhã, que é mais ou menos a minha hora, e saí de casa às 7:08. Não deu para passear muito o Julian e ele de vez em quando é chatinho e anda devagar ou recusa-se a andar porque quer cheirar tudo. Normalmente, quando estou mais nervosa, ele age assim, ou talvez seja que, nessas alturas, eu note mais.

Estava neblina de manhã, quando saí de casa, e pensei que fosse levar mais do que os 28 minutos de viagem. Desde Dezembro que quase não tinha conduzido, aliás, ontem foi a terceira vez e tive de ir para o DMV ilegal, pois não tinha carta, não me tinham dado licença de aprendizagem porque o computador não deixava -- estes computadores sabem muito --, e não dava para ninguém ir comigo àquela hora. Então fui sozinha. 

Às Quartas-feiras, de 15 em 15 dias, deixam prestar exame de condução sem marcação prévia. É só preciso estar nos 12 primeiros da fila. Por isso saí tão cedo, pois o gabinete abria às 8:30. Quando cheguei, perto das 7:35, já havia seis pessoas à minha frente, não sei bem se eram todos para exame. Depois de abrir, apontaram o meu nome e mandaram-me esperar no carro. 

Fiz o exame pouco depois das 10 da manhã e a examinadora chamava-se Ginger, uma senhora muito simples e super-bem-disposta. Recordo-me dela do dia em que fiz o exame escrito, pois foi ela também que me recebeu à entrada. Quando perguntou o que ia lá fazer, respondi que era o exame escrito, mas estava com receio de não passar. Disse logo, de forma muito confiante, que claro que passava, como se nem sequer se pudesse duvidar. Não sei que gene é esse, que faz as pessoas ser tão bem-dispostas e gentis, mas de certeza que o meu ou é muito avariado ou nem sequer está ligado.

O exame foi super-simples. Pediu-me para colocar o pé no travão e ligar os piscas antes de entrar no carro. Assim que entrou, disse-me que gostava muito das minhas calças, eram muito engraçadas e lembravam-na da praia (eram umas Lilly Pulitzer bordadas com estrelas do mar). Perguntou-me se contava ir de férias em breve e contou-me das últimas férias que teve com os filhos e marido. Como estava um pouco nervosa, quase que não prestei atenção ao que ela disse sobre as tais férias. Logo eu, que converso com toda a gente... 

Demos uma voltinha ao  quarteirão e ela aconselhou-me que, como havia buracos na rua, podia perfeitamente desviar-me para os contornar. Fiz o que recomendou e até usei piscas, o que aqui é tão pouco comum de ver, mas nunca perdi o hábito de Portugal. E, pronto, estou legal outra vez. Quando me deu a fotocópia da carta, eu disse que devia ter esticado o pescoço um bocado mais para a foto, mas respondeu-me que não interessava, o que interessava era que estava legal; as fotos giras deviam ser reservadas para o Facebook, para o meu mural. 

Após chegar a casa, fui ver se havia vaga para ir apanhar a vacina do coronavírus. Esta semana, estava tudo cheio na minha zona, mas havia bastantes vagas em Midtown, logo marquei para Sábado. Só havia a vacina da Pfizer e noticiaram que a da Johnson & Johnson estão a reservar para as populações mais carentes, como quem está de cama em casa e recebe a vacina no domicílio, os sem-abrigo, e as pessoas de mais idade. Será a Pfizer, então. Vou aproveitar para levar o Julian ao hotel dos animais para brincar com os outros cães, enquanto passo pelos jardins do Dixon e depois vou à vacina. Este cão tem vida de rico.

  

quarta-feira, 24 de março de 2021

Version 3.323

Foi um dia cinzento, de chuva pela manhã, mas algumas das minhas tulipas estão a florir. Até costumo gostar de dias assim, mas estou um bocado saturada deste tempo mais triste. A minha vizinha que tem 86 anos foi ao dentista, mas a filha não pode entrar; era só pacientes. Como ela tem demência, quando lhe perguntaram porque tinha ido, respondeu que não se lembrava. Tiveram de chamar a filha. Talvez não seja mau de todo esquecer tudo e todos e ficar reduzido a um espectro de nós. Sempre presumi que fosse uma coisa horrível e que a morte fosse preferível, mas talvez não. Talvez não saber nada não seja assim tão mau.

terça-feira, 23 de março de 2021

Version 3.322

Ao anoitecer, veio notícia de mais um tiroteio, desta vez em Boulder, Colorado, cidade onde até já estive. É um sítio muito progressivo socialmente, com muitas escolas privadas, cada uma à medida do freguês. Na semana passada tivemos o tiroteio em Atlanta, que deixou oito vítimas mortais de ascendência asiática. É de lamentar que os tiroteios estejam de regresso, mas talvez isso seja um ímpeto para passar legislação mais apertada para o porte e venda de armas.

Em Miami Beach, as autoridades tiveram de bloquear ruas e até se chegou a atingir a multidão com balas de pimenta porque os turistas do Spring Break estavam loucos a dançar na rua, em cima de carros, uns em cima dos outros sem sequer usarem máscara. Bem sei que usar máscara na rua não é essencial, mas isso presume que há algum distanciamento entre as pessoas, não é todos à molhada e aos pulos a respirarem uns para cima dos outros.

O que vale é que a maior parte das universidades requer que os alunos tenham teste negativo para poderem entrar no campus, mas o pior são as comunidades para onde esta malta irá regressar. E vamos lá ver como se sai a Florida, que até agora se tem safado mais ou menos de ter um número elevado de casos. Ao ver aquelas pessoas todas aos gritos, tenho um apreço renovado pelo meu recato doméstico. 

segunda-feira, 22 de março de 2021

Version 3.321

Assisti na Quinta-feira a um webinário patrocinado pelo meu local de trabalho, que tinha como tópico as mulheres e a reforma. Desde já, saiba-se que sou uma pessoa muito obcecada com a minha reforma. Já ando a planear a coisa há uns 35 anos ou mais. Aliás, quando era miúda, uma das minhas actividades preferidas era contar dinheiro no mealheiro, o que não era muito sábio de manter, dado o nível de inflação que havia em Portugal.

Não aprendi grande coisa no seminário e até faço tudo o que a palestrante recomenda: maximizo as contribuições para o 401k, o que inclui dinheiro suficiente para assegurar a contribuição da empresa, tenho também um Roth IRA para diversificar a incidência de impostos; quando recebo bónus, opto por adiar a recepção de metade (máximo possível), maximizo a contribuição para a conta de poupança-saúde, e as minhas poupanças anuais andam à volta de 25% do meu rendimento. Até acedo à minha conta da Segurança Social americana, logo sei quais os benefícios que vou ter e os descontos que fiz. Claro que daqui até eu me reformar, aquilo entra em falência.

Dizia a senhora que nos deu o webinário, que a Segurança Social nos EUA foi criada de forma a apenas substituir 30% do nosso salário. Eu tenho a sorte, ou melhor, esforcei-me bastante para maximizar o meu salário, logo devo receber a reforma máxima dada. Se me reformar aos 70 anos será o equivalente a $3957/mês. Mas se for aos 67, já só recebo $3106. Mas posso sempre reformar-me antes, viver das minhas poupanças e só pedir a Segurança Social aos 70. Como não sei quantos anos vou viver, não tenho como decidir agora. Talvez quando chegar à idade de reforma dê para ter uma ideia melhor, dado o meu estado de saúde na altura. É um bocado doentio andar a pensar nestas coisas durante décadas, mas como é que vocês acham que eu vou manter a minha vida de rica? A minha expectativa é que não vai haver muito dinheiro na Segurança Social para a minha geração, logo não estou a contar com isso.

Passei parte do dia de hoje a ouvir o 45 Graus, em que foi entrevistada a minha colega de blogue, a Mafalda Pratas. Foi uma conversa muito interessante e deu para se perceber a complexidade dos EUA. Penso que não ficou muito clara uma coisa, que tem a ver com o papel do estado. Na Europa, há a presunção de que o estado é uma figura de bem; nos EUA, a sociedade é uma figura de bem, mas o estado pode muito bem acabar por ser uma figura de mal, pois os peregrinos fugiram a um estado que os perseguia e a fundação dos EUA é uma revolta contra um estado que explora a colónia. 

Está enraizada na cultura americana a ideia de que nem sempre o estado defende os nossos interesses. Todo esse medo foi explorado por Donald Trump ao distanciar-se do pântano que é o estado americano e ao apresentar-se como alguém de fora, alguém do povo que defenderia os interesses do povo. A exploração do medo para chegar ao poder é uma das formas mais antigas de se chegar ao poder e funciona tão bem nos EUA como funciona em outros países. Os americanos acham-se excepcionais, mas nem sempre o são.

Mas é engraçada a ideia que os americanos têm de si próprios, de que são uns coitados e de que há sempre alguém que se pode aproveitar deles. Toda a difusão de poder nos EUA serve para guardar contra esse risco. Alguém mal-intencionado pode sempre chegar ao poder, mas dificilmente terá poder por muito tempo ou conseguirá fazer tudo o que quer. Os EUA podem ter começado como uma colónia e um país pobre e agrário, mas precaveram-se contra déspotas. 

O primeiro processo de impugnação de Donald Trump foi mesmo sobre isso: o Presidente não tem poder absoluto, não está acima da lei, e tem de prestar contas. Pode ser absolvido politicamente, mas nada o protege para sempre das leis que governam a sociedade, do tal governo do povo e para o povo.


domingo, 21 de março de 2021

Version 3.320

Após umas semanas de interregno, eis que continuam os pedidos de informações para emigrar para os EUA. Os últimos têm sido um bocado fraquinhos, de gente nova com poucas qualificações, tipo curso de dois anos em marketing digital. Eu aposto que há jovens americanos no secundário que devem perceber da coisa, logo não há necessidade de importar trabalhadores. Aliás, eles inventaram o marketing digital.

Mas no meio da conversa, ouvem-se coisas interessantes. Por exemplo, alguém em Portugal observava que estava a pensar vir para os EUA, mas o problema era que as férias não eram suficientes para ir a Portugal. O período de férias não é regulado pelo governo federal nos EUA; em vez disso há um acordo entre empregador e empregado e as empresas competem entre si nos benefícios que oferecem. Obviamente que se os benefícios são maus, não vão conseguir atrair "talento", quer dizer, empregados de boa qualidade. 

O normal é começar-se com 10 dias úteis de férias e alguns dias de baixa médica, mas há companhias que combinam férias com baixa médica e os empregados têm direito a um certo número de dias. A empresa onde eu trabalho agora combina baixa médica e férias e quem começa a trabalhar tem direito a 15 dias úteis que pode gastar como quer. Também já trabalhei em sítios que davam 10 dias de férias mais 5 dias de baixa médica. 

Depois, em alguns sítios, cada ano que a pessoa fica com a empresa, ganha um dia de férias, até ao máximo de 30 dias, no caso da minha empresa. Em alguns departamentos, também há direito a dois feriados flutuantes, logo um total de 32 dias úteis. A isto soma-se os feriados e os americanos gostam muito de feriados à Segunda-feira para terem fim-de-semana prolongado, mas nem todos os feriados são observados. Por exemplo, a observação do dia de Martin Luther King, em que as pessoas não trabalham, é bastante recente e nem todos os sítios observam, apesar de já ser celebrado há mais.

Expliquei brevemente à pessoa que mencionou a falta de férias que eu tinha 30+2 dias úteis de "paid time off" agora, mas antes já tive menos, e ela disse que era isso que não havia em Portugal: a progressão na carreira. Ora, é impossível haver progressão na carreira se as pessoas querem ter os benefícios máximos logo no início.

O mesmo se passa com as questões de salários. Sim, é verdade que os americanos no início de carreira e especialmente os jovens não ganham muito, mas o normal é progredir-se no salário, à medida que a pessoa ganha mais experiência e consegue melhores empregos. 

Comentaram no outro dia num post meu que eu tinha vida de rica, o que é uma parvoíce. Nesta altura da minha vida já tenho uma vida muito confortável, mas foi porque fiz sacrifícios no início. Aliás, eu só comecei a trabalhar na minha profissão a tempo inteiro em 2004. Entre 1997 e 2004, era estudante e vivia com uma bolsa. Não era rica, mas também não passava fome. 

Tudo o que eu tenho é fruto do meu trabalho e, na verdade, gosto muito do que faço e não me importo de sacrificar outros aspectos da minha vida para me dedicar mais ao trabalho. E é por isso que hoje em dia vivo confortavelmente, mas nada é garantido porque tudo depende do meu esforço. Ricos são aqueles que podem viver confortavelmente sem trabalhar. É o caso do meu cão, esse é rico. 



sábado, 20 de março de 2021

Version 3.319

 Saiu o relatório que ordena os países por nível de felicidade. Os portugueses ocupam o lugar 58, os americanos o 19. Não percebo o ranking dos portugueses, dado que passam a vida a dizer que vivem no melhor país do mundo. Ou será isso a causa da infelicidade, o viverem no melhor país do mundo, o que leva a que se sintam infelizes por quem vive em países piores?

Por falar em coisas infelizes, os americanos estão muito perturbados pelo tiroteio de Segunda-feira que atingiu a comunidade asiática. Fala-se de ser uma questão de racismom mas eu não acho. Dado o número de tiroteios que existe nos EUA, é expectável que toda a gente seja atingida, inclusive asiáticos. É uma coisa bastante triste, estes tiroteios, mas tornou-se bastante corrente. 

sexta-feira, 19 de março de 2021

Version 3.318

Paris entrou em confinamento hoje, o que é bastante negativo: indica que a Europa está muito atrasada no controle da pandemia. As pessoas ainda não se adaptaram a viver com o vírus de forma a mitigar contágios e a evitar confinamentos. Os governos não investiram o suficiente na agilizacao do plano de vacinação. Mesmo do ponto de vista de estímulo da economia, tem sido muito fraco e prevê-se que o maior impacto na economia só se sentirá em 2022. 

Não me parece que as coisas vão correr bem e dada a força da retoma nos EUA e na China, o peso dos europeus no PIB mundial irá continuar a descer, como tem vindo a acontecer desde a crise da dívida soberana. Por outro lado, se a dívida pública era astronómica antes, agora ainda é mais. Em situações de crise, não vale a pena pensar em poupar e até é errado e também imoral, mas incomoda que o dinheiro do aumento da dívida não seja utilizado de forma a gerar mais crescimento; em vez disso, parece que se divide um bolo cada vez menor. 

Os EUA anunciaram que vão emprestar vacinas ao Canadá e ao México, ou seja, não estão grandemente preocupados com a Europa, logo não devem estar a planear normalizar a circulação de pessoas entre os dois continentes brevemente. 

quinta-feira, 18 de março de 2021

Version 3.317

O nosso segundo dia de S. Patrício desde o primeiro confinamento. A minha vizinha preparou carne de vaca com couve e batatas; eu preparei sopa de carne de vaca com cevada, pão de soda irlandês, e Irish coffee. O jantar ficou muito bom, apesar de a versão que eu comi não ter tido cevada, nem pão, e passámos a noite em amena cavaqueira com vários vizinhos. Fiquei a saber que uns outro vizinhos apanharam Covid e ficaram um bocadito mal, mas já recuperaram. Bem me parecia, no outro dia, que o marido estava um bocado magro.

A manhã inteira trovejou e choveu e houve uma altura em que o céu escureceu. Durante a tarde, estivemos sob vigilância de tornado e várias partes dos Estados Unidos estiveram sob alerta máximo de tempestades. A parte mais perigosa do dia para estas tempestades é o crepúsculo, logo espero que o pessoal esteja bem e tenha tomado precauções. 

Há umas semanas, comprei umas coisitas em Portugal, mas o meu pacote ainda não chegou. Espero que chegue um dia destes, mas foi enviado pelos CTT, logo deve ser tipo lotaria. Os tapetes portugueses que comprei no outro dia chegaram bastante depressa, mas foram enviados por DHL. E também comprei outra coisita que veio da Grécia e chegou rápido porque foi enviada por FedEx. Veremos se o meu pacote encontra o caminho...

   


quarta-feira, 17 de março de 2021

Version 3.316

A UE corre o risco de sair bastante danificada da pandemia. Não só negociou as vacinas mal e com atraso, focando-se em poupar dinheiro, em vez de vidas, mas agora tenta colmatar a falha suspendendo a autorização da vacina da AstraZeneca, quando o próprio regulador europeu discorda da decisão. 

Hoje noticiavam que em Portugal já tinha vacinado mais de metade das pessoas com mais de 80 anos, o que é absolutamente ridículo. Começaram a vacinar no final do ano passado e, quase três meses depois, ainda não conseguiram vacinar todas as pessoas com mais de 80 anos? Não deve haver grande dificuldade, dado que até é um segmento da população bastante sedentário e que usa os serviços de saúde com frequência. 

A Reuters diz que Portugal, neste momento, consegue vacinar 10% da população cada 100 dias, ou seja, vai levar vários anos para fazer a primeira ronda. Tanta peneirice no início das vacinas e agora é o que se vê.