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quarta-feira, 5 de maio de 2021

May the 4th be with you

Ontem foi o aniversário do "One Year Maybe"--hurra! Consegui terminar um ano de posts quase diários: houve um que me esqueci, outro que adiei para o dia seguinte, uns que me esqueci de publicar antes do final do dia... Em termos de assiduidade, estive dentro dos parâmetros de falhanço a que me sujeito.  Normalmente, contento-me com fazer as coisas 95% bem, dado que os últimos 5% necessários para atingir a perfeição podem sair bastante caros, logo não tem muita lógica estar a perseguir a perfeição.

A numeração tem um significado: o 2 refere-se ao facto de eu ter tentado fazer um projecto destes antes e não consegui terminar. Julgo que esse ano em que falhei foi o ano em que fiquei doente, pois comecei a ter reacções adversas a várias comidas. Os últimos três dígitos referem-se aos dias. E são versões porque representam a minha evolução ao longo do ano, o que eu estava a pensar na altura. Claro que a nossa evolução é contínua, em vez de discreta, mas sabe-se lá se a continuidade é realidade ou percepção. 

Também há outra particularidade engraçada, pois muitos destas missivas são escritas depois de eu me deitar e, às vezes já estou com bastante sono. Agrada-me bastante a ideia de escrever naquela altura em que se está menos alerta, entre o consciente e o inconsciente. O único problema é que houve alturas em que adormecia a escrever e até houve uma vez pelo menos em que adormeci antes de publicar.

É muito simpático receber os vossos comentários e tenho alguns para responder ainda, mas para isso tenho de mudar de computador. Normalmente escrevo do MacBook, que não me deixa comentar. É prático porque o computador liga-se bastante rapidamente.

Um ano depois e ainda estamos na pandemia. Estou bastante preocupada com os portugueses. A vacinação está bastante atrasada. O objectivo devia ser o de vacinar toda a gente até ao final de Outubro, o mais tardar Novembro. Parece-me ser o mais prudente, mas não vai acontecer. Eu sei que o problema é o mesmo noutros países da UE, mas ninguém obriga Portugal a ser lento e a gerir mal as coisas. Passaram meses a fio a fazer pirraça por causa do Trump estar a gerir mal a pandemia nos EUA, mas a Europa não teve um Trump e acabou por gerir pior. Que desculpa têm?

  

terça-feira, 4 de maio de 2021

Version 3.364

Estou muito chateada com o Bill e a Melinda porque anunciaram hoje o seu divórcio. Se é para me fazerm isto, o mínimo que podia ter acontecido era a Melinda ter tido um affair com um tipo jeitoso, mais novo, todo charme, sorriso que deixa uma mulher K.O.: alguém como o MorenoPorcu no Instagram, que dança ali todo dengoso, requebro para ali, lascívia para acolá. Seria melhor para a Melinda e para as mulheres em geral. Só espero que o Bill não ande a cortejar uma jovem de cabeça oca porque, se eu um dia o conhecer, ainda lhe digo umas verdades. 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Version 3.363

Antes de mais chuva chegar, passeei o Morceguinho, mas não sei o que lhe deu, que parecia o Energizer Frenchie, não querendo vir para casa. Fizemos umas duas voltas à vizinhança e finalmente usei o meu poder de veto para bloquear uma terceira. Depois fui ao Fresh Market comprar alguns ingredientes para fazer outro bolo de chocolate e posso assegurar que continuo a ser um desastre na decoração.

Tivemos uma festa de aniversário muito engraçada, ao final da tarde, pois às 18 horas daqui já é 3 de Maio em Portugal, com um grupo pequeno de vizinhos. Claro que bebemos vinho português -- do Alentejo -- e champagne porque se não fosse o Napoleão, eu não estaria aqui. Eu vesti Red + White + Blue e Verde + Vermelho, obviamente. A pouco e pouco regressamos à normalidade e a contacto mais pessoal. O meus vizinhos fizeram-me poemas que declamaram, o que me emocionou bastante, apesar do cariz cómico dos textos; mas penso que captaram bem a versão actual da Rita. 

Viver nos EUA é muito especial. Desde que vim para aqui, a minha vida parece um filme. Há muitos dias em que o que me acontece não parece real e, no entanto, é. Não digo que todos os momentos sejam perfeitos ou bons, nem nos filmes o são, mas o que há frequentemente são momentos especiais, daqueles que queremos guardar. 



 







domingo, 2 de maio de 2021

Version 3.362

Tenho andado a pensar na situação de assédio que a Vera, a minha colega de blogue, descreveu e que foi publicada na revista Sábado. Estou curiosa para saber se a instituição em causa irá iniciar uma investigação, ver se é caso isolado, ou se é parte de um comportamento recorrente, e tomar medidas correctivas. Aliás, este exercício devia ser feito por todas as instituições regularmente e devia haver consequências visíveis.

Na Quarta-feira, celebrámos o dia de inclusão na companhia onde trabalho. É uma celebração anual em que há várias horas de workshops com o intuito de sensibilizar os empregados de que se deve valorizar a diferença e dar voz às pessoas que estão menos representadas. Também somos encorajados para não ficarmos calados quando há situações de abuso. Para além do dia de inclusão, todos os anos fazemos uma sessão de treino de ética em que discutimos situações semelhantes à que aconteceu à Vera. Na empresa onde eu trabalho, não é permitido haver relações amorosas entre pessoas que estão hierarquicamente próximas, em que uma é superior, logo tentativas de sedução e obviamente assédio não são permitidas. Acho que esta prática é o procedimento correcto.

O agressor tinha responsabilidades na organização superiores às da Vera, o que a colocava à mercê das decisões dele. A partir do momento que isso acontece, toda a responsabilidade é da pessoa que se encontra num nível superior porque presume-se que foi colocada numa posição superior porque já adquiriu experiência e profissionalismo que o justifiquem. Posto isto, tem de se comportar à altura das suas responsabilidades e tem o dever de zelar pela boa reputação da instituição onde trabalha e pela segurança dos colegas. Quem não segue estes princípios devia ser sujeito a treino de ética; se mesmo com essa sensibilização não muda de comportamento, devia ser despedido. 

Há muitas coisas que são bastante simples; não é preciso inventar a roda porque isto é prática em outros países. Até aposto que há sítios em Portugal onde também se pratica; que não se pratique em universidades, que são sítios onde se molda o carácter dos alunos e se lhes incute certos valores que são desejáveis para a sociedade é revelador de uma certa imoralidade que está institucionalizada. Mas que existia já sabíamos nós.    

sábado, 1 de maio de 2021

Version 2.361

A meio da tarde hoje, tocaram a campainha cá de casa e eis que aparece uma jovem, que estava a tomar conta dos cães dos meus vizinhos, enquanto estes tinham ido à cerimónia de final de curso da filha na parte leste do estado -- nunca visitei a parte leste do Tennessee, mas disseram-me que era deslumbrante, eu acredito, até porque a Amy Butler, designer de tecidos, tem uma cabana no lago Watauga que é um sítio de sonho. O motivo da visita da Annie, a moça que tocou à porta, foi ter trancado a casa com as chaves e o telemóvel lá dentro. Telefonei à minha vizinha, mas ninguém atendeu, logo deixei mensagem de voz e enviei SMS. 

Fui à minha vida, mas a vizinha não me contactou. Passados uns minutos bate a Annie na porta outra vez porque queria saber se eu tinha tido notícias ou se podia telefonar ao namorado dela. Perguntei-lhe se ela sabia o número e disse que sim. Que extraordinário que soubesse o número do namorado de cor. Eu já não invisto nenhuma da minha memória na memorização de números de telefone.

Desta vez, fiquei a fazer companhia à moça: tentámos ver se havia maneira de entrar, ofereci-lhe um copo de água, e conversei com ela. Contou-me que estava a estudar literatura, pois adorava o período romântico inglês. Olha que giro e eu estou a ler Henry James, The Portrait of a Lady, respondi-lhe. Ainda não leu, mas gosta muito de Jane Austen. São os seus livros preferidos. E depois disse que gostava muito de poesia. 

A conversa foi mesmo como uma taça de cerejas, ia a eito e falámos de livros, carreira, cães, jardinagem... Terminou quando chegou o namorado, que vinha ansioso para a ajudar. Parecia um rapaz simpático e carinhoso, o que me agradou. Fazem um casal engraçado. 

Alguns minutos depois de eu regressar a casa, recebi uma mensagem da minha vizinha: já tinham conseguido abrir a porta e estava tudo bem. Um final feliz--como deve ser na América.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Version 2.360

Ainda não marquei as férias, mas hoje adiantei um pouco a vida, pois fui à Opera Memphis entregar um cheque para pagar a vinda de um cantor para nos fazer uma serenata no dia 16 de Maio, que é quando iremos ter a nossa reunião anual da vizinhança, estilo reunião de condomínio. (Imaginem que país atrasado que ainda usa cheques; como é que o PIB americano cresce tanto é um mistério.) Decidi pagar por vários motivos: é uma coisa simpática para se fazer aos vizinhos, apetece-me ouvir ópera ao vivo, e em Maio completo mais uma rotação em torno do sol. 

Telefonei antes e a directora financeira da ópera comprometeu-se em estar no gabinete à hora marcada e a ter a porta aberta para eu entrar--na porta havia um aviso a mandar toda a gente usar máscara dentro do edifício. Eram $275, mas eu achei por bem dar mais e paguei $350. Ela ficou toda contente, o que é triste porque até nem é muito dinheiro no grande esquema das coisas. (Este programa que eles têm, o Sing2Me, é muito engraçado, pois podemos contratar um cantor de ópera para vir a um sítio fazer uma actuação ao vivo e ao ar livre.)

Já sei que me vão dizer que isto é vida de rica e que é muito dinheiro, mas não vos dá um prazer enorme saber que alguém português é um cidadão exemplar na América? A mim dá-me muita satisfação. Pronto, pronto esqueci-me de renovar a carta de condução, logo sou quase-exemplar.  Acima de tudo, sou uma pessoa muito egoísta, que maximiza a sua utilidade. Que o bem-estar da sociedade também saia favorecido é completamente por acaso.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Version 3.359

Help me, I think I'm falling! O Harry Styles vai tocar em Nashville, a 1 de Outubro, o que vale é que eu só gosto de algumas canções, mas imaginem se me aparece a Tori Amos, os Fleetwood Mac, ou  os Moon Taxi e eu fico completamente gagá... Então o nosso Presidente Bidé, perdão, Biden, deu um discurso hoje no Congresso onde anunciou que a "América is on the move again." Mas havia alguma dúvida que a América iria regressar em grande? Por falar nisso, tenho de marcar férias para ir à praia. Preciso de vitamina azul.

Hoje estávamos numa reunião e um colega meu francês estava a brincar com o nosso colega americano porque estava na minoria: era eu portuguesa, ele fracês, um colega mexicano, outro inglês, e restava o americano. Quase que dava para fazer uma piada, só que eu não sou muito engraçada, mas tive de intervir porque o universo teve um soluço quando eu nasci e foi por isso que eu apareci em Portugal. Dizia eu, "Speak for yourself, I am American!" E depois fez-se silêncio, como no Mulholland Drive...



Club Silencio ~ Mulholland Dr. (2001) from Schmeichler on Vimeo.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Version 3.358

Os CDC anunciaram hoje que as pessoas vacinadas podem circular mais à vontade sem máscara, e até conviver com os não-vacinados quando na rua. Apenas é preciso continuar a usar máscara em sítios com mais pessoas, como estádios. Vou fazer como fiz no Outono passado, quando o meu antigo chefe me perguntou se eu queria voltar a trabalhar no escritório, e eu respondi que não me sentia à vontade e preferia esperar alguns meses para ver como as coisas progrediam. Claro que o escritório acabou por fechar e ainda está fechado. Nós mudámos de escritório no ano passado e ainda não tenho cartão para entrar, nem autorização para estacionar no edifício porque nunca lá fui. <--!more-->

No Domingo, 25 de Abril, recebi os meus livros que tinha comprado em Portugal e que foram transportados pela DHL. O pacote ia demorar quatro dias a chegar a minha casa e a data inicial de entrega era para ser 20 de Abril, mas acabou por se atrasar mais de uma semana em Portugal. É verdade, demorou sete dias para sair de Portugal para ir para Bruxelas, onde demorou um dia para sair para Cincinnati, no Ohio, e aí esteve um dia e saiu para Memphis. Não vejo razão para o meu pacotinho ter ficado tantos dias no Porto, a não ser que as pessoas sejam incompetentes ou que não houvesse mais pacotes para encherem o avião.

Gostaria de entender porque é que os portugueses são tão lentos, dado que esta lentidão custa dinheiro, mas não dá retorno. E depois será que não aborrece as pessoas fazer tudo a passo de caracol? Eu sou lenta, mas acho que morreria de tédio se tivesse de trabalhar a esta velocidade...


 


terça-feira, 27 de abril de 2021

Version 3.357

Já está em acção uma campanha para atrair turistas americanos vacinados para ir visitar a Europa, o que eu acho muito hipócrita. Tenho medo de ir e só vou confiar lá para 2022, se os dados forem bons e se a Europa chegar a vacinar o pessoal. Receio que não vacinem, dada a actual lentidão do processo. Mesmo com vacina, não dá para confiar. De acordo com as notícias, o número de pessoas vacinadas que apanha Covid-19 está a aumentar e até há mortes, logo todo o cuidado continua a ser pouco.

As pessoas estão a relaxar um bocado e há sítios em que dá para relaxar mais. Ontem fomos passear para os trilhos ao longo do Wolf River e não vi ninguém a usar máscara, apenas vi uma jovem mãe com a máscara puxada abaixo do queixo. Ao ar livre, se as pessoas mantiverem a distância, não há nenhum problema que as pessoas relaxem. O pior é quando o pessoal retorna para espaços fechados.

segunda-feira, 26 de abril de 2021

Version 3.356

Os meus cravos encarnados não abriram, o que é mais do que adequado, dada a vergonha que é a actual democracia portuguesa. O MRS bem pode fazer discursos cheios de vacuidades, mas eu ainda não posso votar porque Portugal está interessado no dinheiro dos emigrantes, mas não está interessado no seu voto.

Há apenas uma coisa que me consola nisto tudo: a história não será simpática para com estes pseudo-democratas e até Salazar teve o bom senso de não ter filhos. Se um dia o caldo entornar -- e a probabilidade de isto ir para o torto é 100% porque tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia lá fica a asa, como bem sabe quem estuda história de Portugal, -- quem paga é a prole. 




domingo, 25 de abril de 2021

Version 3.355

A minha amiga portuguesa regressou ao Texas hoje de manhã e faz a viagem até Houston muito mais rápido que eu. Ou talves não, mas parece. Nunca fiz a viagem durante a pandemia, mas aposto que há muito menos trânsito e talvez haja algum trecho de autoestrada que tenha sido melhorado. Antes de ela partir de Houston, perguntou-me que latas de sardinhas é que eu queria. Não era sardinhas, era atum enlatado Sta. Catarina, dos Açores. Dei-lhe instruções de ir ao HEB, mandei-lhe a foto do atum, e pedi para me comprar 10 latas de cada. Daí a nada recebo uma foto de um carrinho de supermercado cheia de latas de atum: comprou todas as que havia na prateleira. 

Não sei o que o resto dos portugueses tinha na sua despensa quando a pandemia começou, mas eu tinha mais de 30 latas de atum dos Açores porque em Outubro de 2019 fui ter com algumas amigas americanas do Texas a Bentonville, AR, e pedi a uma para me comprar atum. A modos que, depois destes meses todos, o meu stock já estava um pouquinho em baixo e só tinha três, que andava a guardar religiosamente. Tenho os melhores amigos do mundo, que aturam todas as minhas obsessões.

Passámos o dia em casa porque choveu e esteve uma enorme ventania, mas aproveitei para começar a ler um livro português e consegui terminá-lo antes do final do dia. Por falar em livros, ainda não recebi o meu pacote de livros de Portugal, que vem por DHL, porque demorou sete dias para sair do Porto para ir para Bruxelas, e um dia para sair de Bruxelas e chegar a Cincinatti, no Ohio, onde está agora. Quando chegar, vou mostrar o percurso do pacote e comparar com outro pacote que encomendei de Inglaterra e que também veio por DHL. Não dá para perceber como é que os portugueses são tão lentos. O pacote estava de saída, logo que raio de burocracia impediu que saísse mais depressa? Ou é mesmo incompetência? Eu aposto que os pacotes saíam de Portugal mais depressa no século XIX.




sábado, 24 de abril de 2021

Version 3.354

A febre sucumbiu e passei um dia bastante agradável, que nada se pareceu com o de ontem. Notei que fiquei com uma nódoa negra no sítio da vacina, o que não tinha acontecido na primeira dose. De manhã fiz o bolo de chocolate e morangos para a festinha de anos que demos à enfermeira que visita a minha vizinha que tem 86 anos. Ficou bom, o que me agradou. Fiquei um bocadinho frustrada com a minha falta de habilidade para a decoração de bolos, mas senti algum alívio por não ter de ganhar a vida assim e como tenho algum jeito para improvisar, lá me desenrasquei. 

Foi um grupo íntimo e muito engraçado, em que a conversa deu para rir e descontrair. Também teve a singularidade de eu poder levar uma amiga minha portuguesa que estava de visita. Às vezes, sinto alguma pena de a minha vida estar tão espalhada por tantos sítios e não poder ter as minhas pessoas todas juntas, mas não me posso queixar porque acabo por ter imensas oportunidades de desfrutar da companhia dos meus amigos. 

Perdemos a convidada de honra a meio da festa, pois recebeu uma chamada de emergência acerca de um paciente de 102 anos. Mas antes de ela ir, preparámos um prato com uma fatia de bolo para levar e dei-lhe uma manta de algodão feita em Portugal. (Eu digo que, se todos os portugueses fossem como eu, Portugal seria o país mais rico do mundo.) Restámos cinco e a conversa continuou animada. 

Fiquei sentada ao lado da minha vizinha que tem 86 anos e a filha estava do outro lado da sala. Já não me recordo a que propósito, mas ela segredou-me ao ouvido "Take care of [my daughter], when I go," o que me fez chorar.  Muitas vezes penso que a única razão para ela estar ainda viva é ter medo da reacção da filha, o que demonstra o amor profundo que por ela tem. Por enquanto sobrevive, graças à aniversariante e aos cuidados extremos da filha.

 P.S. Obrigada ao Tiro ao Alvo...


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Version 3.353

Dada a variedade de reacções, tinha alguma curiosidade acerca de como reagiria à vacina do Covid e se os sintomas seriam parecidos com alguma outra coisa que eu já tivesse. Nunca tive nenhuma reacção de cansaço a outra vacina, desde que tenho consciência de mim mesma. 

Tomei ontem a segunda dose da vacina Pfizer quase às 15 horas. Hoje acordei muito cedo, antes das 7 da manhã, já não me lembro bem da hora. Achei-me febril e senti que o quarto estava muito quente, foi isso que me acordou. Melhorei alguma coisa por volta do meio-dia, quando me deitei por uma hora, mas depois comecei outra vez a piorar. Sinto o corpo todo dorido e estou muito letárgica. Fiz outra sesta por volta das 17 horas.

Não tomei medicamentos para aliviar a reacção e quando medi a minha temperatura estava a 38.9 C, logo penso que é isso a fonte do meu desconforto. Uma coisa que tenho feito é comer muito para o meu corpo ter calorias suficientes para recuperar. Também bebo muita água e durmo como se o final do mundo estivesse à porta. Note-se que não sou grande fã de dormir mais do que as minhas 7-8 horas do regime normal, mas tem de ser.   

Vou dormir outra vez. Espero sentir-me melhor amanhã, pois tenho de fazer um bolo de chocolate para uma festa de anos que vamos ter na vizinhança.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Version 3.352

Exactamente 21 dias depois da primeira dose, tomei a segunda dose da vacina Pfizer anti-Covid. Para me preparar, comi um almoço que era o triplo do que normalmente como e até agora correu lindamente. Até acho que me doeu mais a primeira dose e me fez mais desconfortável. Veremos como me sairei amanhã.

A caminho da vacina tive um pequeno percalço porque o iPhone não me deu a direcção correcta, apesar de ter inserido exactamente a morada que me deram. No meio de pequenos insultos mentais à Siri, lá encontrei o caminho para a igreja onde era a vacinação. No parque de estacionamento construíram um percurso para os carros e umas tendas de acolhimento. 

Numa tenda verificavam a marcação e o cartão com o comprovativo da primeira dose. Depois conduzíamos até outra tenda para receber o formulário que tínhamos de preencher. De seguida, era a tenda da vacinação e finalmente conduzíamos para uma secção do parque de estacionamento em que esperávamos 15 minutos para ver se tínhamos reacção alérgica à vacina. Perto, havia uma equipa de primeiros socorros para nos auxiliar. 

Espalhado pelo parque de estacionamento, havia sinais a informar para buzinar ou acenar caso nos sentíssemos mal. Felizmente, não foi necessário para mim.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

Version 3.351

Derek Chauvin, o fulano que matou o George Floyd, foi dado como culpado hoje. O Presidente Biden fez um comunicado especial, e até os Obama publicaram um comunicado. Acho que fizeram mal em comentar a decisão, porque dá a ilusão de que a justiça não é independente.

No fim-de-semana, quando conversei com as minhas amigas, uma delas disse que estava muito satisfeita com o Biden. A política do Biden tem diferido muito pouco da política do Trump; a maior diferença está no uso do Twitter e outra diferença é o papel da Rússia, que continua a ser vista como inimiga, isto depois de Trump ter visto a Rússia com mais afinidades.

Para mim, o Trump é um enorme paradoxo. Decerto que sem ele não teríamos tanto progresso social tão rápido; mas pagámos bem o preço de tudo o que conquistámos.

   

terça-feira, 20 de abril de 2021

Version 3.350

Recebi uma mensagem SMS do estado do Tennessee a recordar-me que estava na altura de tomar a segunda dose da vacina e, como tal, tinha de fazer uma marcação ou, se já a tivesse, não faltar à mesma. Sempre que acontecem coisas destas, recordo-me sempre da condescendência com que alguns portugueses me tratam, como se eu vivesse num sítio selvagem onde vigora o deus-nos-acuda. 

Pela minha parte, sinto-me muito segura nos Estados Unidos e, sendo americana, sinto-me também bastante segura de que, se me acontecer alguma coisa fora dos EUA, o governo americano intercederá em meu favor. Pode ser lento, mas intercederá. Não conto com tal tratamento do governo português. 

Mesmo a nível do povo, os americanos podem ser tudo, mas não são indiferentes. Este fim-de-semana, uma amiga minha portuguesa em Portugal caiu e magoou a cara. Ficou cheia de sangue e teve de ir às urgências sozinha. Não houve uma única pessoa que a ajudasse. Em vez disso, olhavam para ela de esguelha. Como é que se fica assim? Não percebo. 





segunda-feira, 19 de abril de 2021

Version 3.349

Passei quase o dia inteiro no jardim, mas terminei cedo para conversar com o meu grupo de amigas de Houston. Todas já foram vacinadas e eu, que sou a mais nova, vou ser a última a completar a segunda dose. Nos EUA, cerca de 25% da população já está vacinada, o que é um ritmo adequado para vacinar toda a gente antes do ano terminar. Quando converso com amigos, mesmo com pessoas que não conheço bem, muita gente fala sobre a vacina. Claro que há uns cromos por aqui que são um bocadinho teimosos, mas não nos podemos queixar.

Sempre achei que a União Europeia ia falhar nas vacinas, mas nunca pensei que falhasse tanto. Se o início pode ser complicado para todos, nesta altura, as coisas já deviam ir a velocidade de cruzeiro. O pior é que estão a falhar em tudo: para além das vacinas, a economia está de rastos, os apoios da UE  quando os há, estão a ser usados para manter a economia pré-pandemia, corrupção incluída, quando se devia estar a promover inovação e a criar a economia do futuro... Uma receita para o desastre.

domingo, 18 de abril de 2021

Version 3.348

Não é comum ligar o despertador para Sábado, mas como tinha marcado uma mudança de óleo para o meu carro às 8 da manhã, lá liguei com medo de adormecer. Mesmo assim, não tive tempo de levar o Julian a passear, logo decidi passar pelo hotel de cães do PetSmart para o deixar lá durante o dia. Ainda estava fechado às 7:30, logo levei o Julian para o mecânico comigo e passeámos pelo parque de estacionamento durante quase uma hora. Depois o Julian entrou em greve contra o frio e começou a arranhar a porta para entrar.  Lá fomos para dentro, onde toda a gente andava de máscara, e esperámos mais uma hora até o carro estar terminado e não é que ele se portou lindamente, sentado ao meu colo? Nem se agitou quando vieram fazer-lhe festas.   

Depois de sairmos, fomos ao Starbucks e comprei um chá para mim e um "pau" de queijo para ele. Quando o moço do Starbucks viu que tinha um cão no carro, perguntou-me se queria um copinho dos cães e respondi que sim. Deu-me um copo de espresso cheio de chantilly, que o Jules adorou. Fui levá-lo ao hotel de cães e telefonei à Galeria e Jardins Dixon para ver se ainda dava para ir à venda anual de plantas, mas tinham esgotado as reservas porque o programa foi tão popular. Paciência, fui fazer compras ao T.J. Maxx e depois vim para casa. O dia inteiro estive um bocadito murcha, como o tempo. Espero que a noite de hoje me permita recuperar as energias. 

Version 3.347

O relato do meu 16 de Abril está atrasado quase 24 horas porque aconteceram muitas coisas engraçadas e cheguei ao fim do dia e ainda as não tinha processado mentalmente e estava bastante cansada para tentar. As manhãs das minhas Sextas-feiras são bastante preenchidas com reuniões e ontem não foi excepção. Como planeei tirar a tarde de folga, adiantei algumas coisas e fiz uma lista de tarefas pendentes para a próximas semana, que estou a planear também ser abreviada. Agendei tomar a segunda dose de vacina Pfizer na Quarta-feira de tarde e gostaria de tirar o resto de semana de férias, caso tenha uma reacção mais forte à vacina. Também quero descansar para permitir que o meu corpo se adapte sem o stress do trabalho.  

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Version 3.346

Hoje recebi um SMS da DHL a avisar que os meus livros, que comprei num alfarrabista no Porto há dois dias, tinham sido recebidos e, em princípio, serão entregues até Terça-feira em minha casa. É menos uma coisa com que me preocupar. 

Amanhã vou jantar fora e vou tirar a tarde de folga para relaxar um bocado. Até ao final de Maio, tenho 17 dias úteis de folga para tirar, mas acho que vou transferir cinco para o próximo ano fiscal, o que me dará um total de 37. Os restantes 12 tenho de tentar gastar até lá. 

Este fim-de-semana, vou tentar marcar a segunda dose da vacina para Quarta-feira e até nem seria má ideia tirar o resto da semana de folga, caso haja efeitos secundários. O meu Sábado já está bastante preenchido, pois de manhã  vou levar o carro à mudança de óleo e na tarde estava a pensar ir ao Museu Brooks porque há uma instalação nova no jardim e vai haver um recital de ópera nessa instalação. 

Parece-me que as coisas estão a normalizar bastante. Quando estamos em recintos fechados, todos usamos máscara, mas já estamos tão habituados que não sentimos aquele pânico de antes. Ainda bem...