domingo, 21 de março de 2021

Version 3.320

Após umas semanas de interregno, eis que continuam os pedidos de informações para emigrar para os EUA. Os últimos têm sido um bocado fraquinhos, de gente nova com poucas qualificações, tipo curso de dois anos em marketing digital. Eu aposto que há jovens americanos no secundário que devem perceber da coisa, logo não há necessidade de importar trabalhadores. Aliás, eles inventaram o marketing digital.

Mas no meio da conversa, ouvem-se coisas interessantes. Por exemplo, alguém em Portugal observava que estava a pensar vir para os EUA, mas o problema era que as férias não eram suficientes para ir a Portugal. O período de férias não é regulado pelo governo federal nos EUA; em vez disso há um acordo entre empregador e empregado e as empresas competem entre si nos benefícios que oferecem. Obviamente que se os benefícios são maus, não vão conseguir atrair "talento", quer dizer, empregados de boa qualidade. 

O normal é começar-se com 10 dias úteis de férias e alguns dias de baixa médica, mas há companhias que combinam férias com baixa médica e os empregados têm direito a um certo número de dias. A empresa onde eu trabalho agora combina baixa médica e férias e quem começa a trabalhar tem direito a 15 dias úteis que pode gastar como quer. Também já trabalhei em sítios que davam 10 dias de férias mais 5 dias de baixa médica. 

Depois, em alguns sítios, cada ano que a pessoa fica com a empresa, ganha um dia de férias, até ao máximo de 30 dias, no caso da minha empresa. Em alguns departamentos, também há direito a dois feriados flutuantes, logo um total de 32 dias úteis. A isto soma-se os feriados e os americanos gostam muito de feriados à Segunda-feira para terem fim-de-semana prolongado, mas nem todos os feriados são observados. Por exemplo, a observação do dia de Martin Luther King, em que as pessoas não trabalham, é bastante recente e nem todos os sítios observam, apesar de já ser celebrado há mais.

Expliquei brevemente à pessoa que mencionou a falta de férias que eu tinha 30+2 dias úteis de "paid time off" agora, mas antes já tive menos, e ela disse que era isso que não havia em Portugal: a progressão na carreira. Ora, é impossível haver progressão na carreira se as pessoas querem ter os benefícios máximos logo no início.

O mesmo se passa com as questões de salários. Sim, é verdade que os americanos no início de carreira e especialmente os jovens não ganham muito, mas o normal é progredir-se no salário, à medida que a pessoa ganha mais experiência e consegue melhores empregos. 

Comentaram no outro dia num post meu que eu tinha vida de rica, o que é uma parvoíce. Nesta altura da minha vida já tenho uma vida muito confortável, mas foi porque fiz sacrifícios no início. Aliás, eu só comecei a trabalhar na minha profissão a tempo inteiro em 2004. Entre 1997 e 2004, era estudante e vivia com uma bolsa. Não era rica, mas também não passava fome. 

Tudo o que eu tenho é fruto do meu trabalho e, na verdade, gosto muito do que faço e não me importo de sacrificar outros aspectos da minha vida para me dedicar mais ao trabalho. E é por isso que hoje em dia vivo confortavelmente, mas nada é garantido porque tudo depende do meu esforço. Ricos são aqueles que podem viver confortavelmente sem trabalhar. É o caso do meu cão, esse é rico. 



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