segunda-feira, 15 de março de 2021

Version 3.314

Dia de pi e da mudança da hora. Pensava eu que até estava a vir cedo para a cama e eis que já são 22:30. Bem, ao menos o Watermelon Sugar ganhou um Grammy. O plano de estímulo do Biden passou no Congresso há três dias e o filho da minha vizinha já recebeu o dinheiro, juntamente com o da esposa. Foi depositado na conta à ordem Receberam uns $2649, apesar do estímulo ser $1400 para cada um. O governo deve ter ficado com 5% para os impostos. Apesar de não precisarem do dinheiro, são pessoas jovens, logo sempre ajuda a pagar o curso.

O mais engraçado nisto tudo é que com tanto dinheiro de estímulo, tem havido dificuldade em encontrar trabalhadores para lojas. O mercado de trabalho também se tornou mais flexível e deu mais poder aos empregados: há muita gente que se meteu no Instacart a fazer compras para entregar em casa, dado que a gorjeta costuma ser boa. Eu pago normalmente $25-$30 de gorjeta e decerto que a loja também dá um extra. Para ganhar isso numa loja que tenha salário mínimo federal, seriam precisas mais de quatro horas de trabalho. No outro dia, precisei de um Uber ou Lyft à hora de jantar e não havia ninguém, mas nunca há falta no UberEats, logo as pessoas que conduzem devem preferir fazer coisas onde se ganhe mais dinheiro.

Vai ser interessante ver o que irá mudar na economia e como nos iremos ajustar à normalização pós-pandemia.

domingo, 14 de março de 2021

Version 3.313

Esta meia-noite mudamos a hora. Não me apetece ter um dia mais curto amanhã, até acho irónico que nos encurtem o dia, à medida que a posição do sol nos dá dias mais longos. E é inconveniente, pois vou ter de andar a fazer as contas a cinco horas de diferença de Portugal, em vez das seis normais  e depois tenho de prestar atenção à mudança de hora na Europa para regressar às seis. 

Fui pintar o cabelo hoje e a minha estilista decidiu que não era necessário usar máscara. Quanto às vacinas, está reticente por causa dos efeitos secundários que ouve falar. Já vi o relato de algumas pessoas que têm reacções mais fortes, mas menos sérias do que as do virus, logo não faz sentido achar que a cura é pior do que a doença, salvo seja, porque a vacina não é uma cura.

sábado, 13 de março de 2021

Version 3.312

A AstraZeneca pediu ao Biden se não se importava de dispensar umas vacinas para a União Europeia, dado que ainda não estão aprovadas nos EUA, logo não são precisas imediatamente. Não me parece que o Biden queira arriscar não ter vacinas suficientes para até ao final de Maio haver doses suficientes para completar a vacinação dos adultos americanos. E depois também penso que, se era para dispensar a alguém, eu preferia que dispensassem aos países mais pobres e sem recursos, em vez de a um bloco de países ricos.

Era mais do que evidente que isto iria acontecer, de os EUA acumularem recursos para si próprios. Bastava ver as conferências de imprensa do Cuomo em que ele dizia que pagava o que fosse preciso para assegurar recursos. É assim que os americanos trabalham: são muito forretas quando as coisas estão normais, mas quando há alguma coisa grave, gastam o que for preciso. É mesmo a visão Keynesiana -- o estado intervém quando o resto falha e nessa altura vale tudo. 

Falando no Cuomo, parece-me que vai mesmo às urtigas por causa de dizerem que ele assediou sexualmente as mulheres. Ainda não ouvi nada que me convencesse de que é culpado, mas isso não é exculpatório por si só. Tenho algum receio que o pêndulo tenha corrigido em excesso, pois agora parece que qualquer pequena coisa, como perguntar a alguém se a pode beijar num casamento, dá direito a acusação de assédio. Recordo-me da história do Garrison Keillor, que achei um completo exagero. Para além disso, quanto querem apostar que quando a pandemia terminar, este pessoal vai começar aos beijos e abraços, tipo a foto da revista Life a celebrar o fim da guerra, e vai ser só acusações de assédio. 

Há situações que são mesmo más, há outras que são más se nós quisermos.  Não sei até que ponto hoje em dia se sabe fazer a distinção. No caso do Cuomo, penso que a principal motivação é política. Ele facilmente seria candidato a Presidente e teria boas hipóteses de ganhar, mas é homem e branco, logo tem de ser afastando antes que progrida demasiado. 

sexta-feira, 12 de março de 2021

Version 3.311

Fui jantar fora hoje, coisa que já não fazia desde Setembro do ano passado, altura em que fui fazer férias a Oklahoma--bem sei, foram férias mixurucas, mas o furacão assim o exigiu e, depois, tive oportunidade de ir jantar a OKC com uma amiga minha que trabalha para o FBI. Pois, pois, conheço gente em todo o lado...

O meu jantar esta noite foi no Coastal Fish Company, que fica no Shelby Farms e escolhemos reservar no pátio. A recepcionista do restaurante tirou-nos a temperatura e perguntou-nos se tínhamos estado em contacto com alguém  que tivesse testado positivo por causa do coronavirus. Não, respondemos, e ela introduziu os dados no computador. Deu-nos indicação para termos máscara dentro do restaurante, excepto para comer e beber, mas no pátio podíamos estar sem, e levou-nos à nossa mesa. 

Os empregados estavam todos de máscara e muitos hóspedes também, mas de resto pareceu tudo normal. A Administração Biden disse que o objectivo era ter tudo controlado até o 4 de Julho, que é um feriado em que muitos americanos se reúnem com amigos e família. E a partir de 1 de Maio, as vacinas deverão estar abertas a todos os adultos.

No todo, parece-me que as coisas estão a correr bem, na medida do possível. Acho que aprendemos a conviver com o virus, o país está a funcionar. Bem sei que havia umas almas que achavam que os EUA não tinham feito nada de jeito quando o Trump era presidente, mas não é bem assim:

Andy Slavitt, a senior adviser to the White House's Covid team, on Thursday credited the Trump administration’s Operation Warp Speed for spurring the development of a Covid vaccine at an unprecedented pace.

Claro que a questão fulcral é que os americanos estão a funcionar apesar do Trump, mas os europeus, que não tiveram Trump nenhum, estão fartos de tropeçar em problemas. 

quinta-feira, 11 de março de 2021

Version 3.310

Tenho saudades do meus títulos palermas dos posts. O de hoje seria "Nem Maçon, nem Maçã" porque me perguntaram se eu era Maçon. Claro que era alguém que não me conhecia, logo não sabia a carga de trabalhos que eu sou nestas coisas de ter de aturar correligionários. O pior também é encontrar correligionários, mas divago...

Estou completamente em pulgas por causa da Primavera. Nunca mais chega e com as tempestades que tivemos, se calhar atrasou as plantas uma semana ou duas. Ontem estive a ver num vaso onde tinha plantado vários bolbos e cormos e não encontrei nada. Fiquei a duvidar da minha sanidade, será que imaginei? Ou talvez tenha plantado demasiado fundo, mas ia jurar que tinha plantado diversas coisas em várias profundidades. O certo é que não encontrei nada. Aguardemos, então.

Este Domingo mudamos a hora. Não me apetece acordar mais cedo. O meu cão é que vai ficar contente. Ele acha que as 16 horas são 17 horas, que é altura de eu parar de trabalhar e lhe dar festas.  Tento explicar o conceito da mudança da hora, mas ainda não compreendeu.

Boas notícas! O Biden anunciou que vai comprar mais 100 milhões de vacinas da Johnson & Johnson. É a que eu quero, logo isto parece-me muito bem. É só preciso uma picadela, iupi! 

quarta-feira, 10 de março de 2021

Version 3.309

Não se pode dizer que os meus caros concidadãos do Tennessee não têm fé em mim. Já me deram um número de carta de condução e eu ainda não passei o teste prático, mas não me deixam marcar o teste. Bem dizia a moça que eu devia ter aparecido logo na Quarta-feira de manhãzinha, a seguir ao teste escrito, porque era dia de chegar e fazer exame sem marcação prévia. Só que não fui porque não me dava jeito. Quarta-feira é dia de reunião às 8 da manhã no trabalho e eu não gosto de faltar a essas coisas. A mim dava-me jeito era que eles marcassem para uma Terça-feira, logo vou ter de fazer um "chat" com alguém para ver se me resolvem a coisa.

Em Maio, vamos ter a reunião da Associação de Proprietários aqui da vizinhança e vai ser no jardim do gazebo. Há uns meses, disse a um dos membros da comissão de direcção que, se eles quisessem organizar uma serenata de ópera, eu teria muito gosto em pagar a visita dos cantores líricos da Ópera de Memphis. Dá para ter um cantor por 15 minutos por $175, mas eu disse que preferia 30 minutos e dois cantores, o que custa $275. 

Já não vou a nenhum espectáculo há um ano, logo acho que já mereço um miminho. Só que é das tais coisas que é mais engraçado fazer em grupo, logo um programa para a vizinhança toda vem mesmo a calhar e nós temos parques mesmos giros e bons para estas coisas. A comissão de direcção da vizinhança vai pagar a vinda de uma carrinha de gelados. Vai ser tão emocionante. Vou pedir que cantem Puccini, mas se calhar ainda choro a ouvir, como de costume.

Por falar em coisas que me emocionam, há uns dias comprei uma figura de alabastro na Etsy, a uma loja de escultura grega, e chegou hoje, via FedEx. É uma mulher nua aninhada e o trabalho ficou muito bonito. Já ontem, recebi dois tapetes vindos de Portugal, feitos à mão, e que foram enviados por DHL. São tão lindos. Ainda falta chegar uma mesa talhada em madeira que também tem uma mulher nua--mulheres nuas é o tema cá de casa: há desenhos, pinturas, esculturas, posters... E também há mulheres vestidas porque eu não discrimino mulheres, só homens.

terça-feira, 9 de março de 2021

Version 3.308

Como é Dia Internacional da Mulher, andou toda a gente muito entusiasmada com mulheres hoje. Amanhã volta a ser Dia Internacional do Homem. Durante todo o dia, falou-se também na entrevista que o Harry e a Meghan deram à Oprah. 

Quando eu era miúda, tinha alguma afinidade pela Casa Real britânica, mas já me passou a febre. O que acho é que estas pessoas são tipo periquitos numa gaiola dourada. São engraçados, mas estão numa gaiola. O Harry, depois de muito espernear, vive numa gaiola com a porta escancarada, mas ele acha por bem estar sempre a entrar. Gostos não se discutem.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Version 3.307

De manhã, acompanhei a minha vizinha que levou a mãe de 86 anos à vacina de Covid-19. Quando íamos a caminho, a farmácia do Walmart, onde era a consulta, telefonou para perguntar se a paciente já tinha levado uma vacina antes. Não tinha e o técnico da farmácia informou que a vacina de hoje ia ser a da Johnson & Johnson, que não requer uma segunda dose. Fiquei super-feliz que já estejam a dar essa vacina, pois é a que eu quero levar, logo espero que esteja disponível brevemente para o meu grupo de risco. 

Esperámos 15 minutos, depois da vacinação, para ver se havia alguma reacção adversa. O farmacista foi super-atencioso e muito cuidadoso. Como correu tudo bem, viemos embora após a espera, com a indicação de que não podia tomar Tylenol, ou acetaminofeno, durante pelo menos 6 horas para não interferir com a vacina. Daqui a duas semanas, a paciente deverá ter finalizado o processo de imunização ao vírus; até lá é para agir como se ainda não tivesse recebido a vacina.

A Administração Biden disse há dias que o plano era tentar arranjar vacinas suficientes para toda a gente até ao final de Maio, mas o NYT disse que ao ritmo a que está a decorrer a vacinação só para Setembro é que lá chegaremos. Vamos ver como é que se irão desenvencilhar, mas fiquei impressionada que a vacina da J&J tivesse entrado em circulação tão depressa após a aprovação. 

domingo, 7 de março de 2021

Version 3.306

Penso que em 2005, já não me recordo a que propósito, fui à página de Internet do Continente, fiz compras online, e mandei entregar em casa dos meus pais. Nessa altura, era impossível comprar mercearias online nos Estados Unidos para serem entregues em casa. A Instacart, provavelmente o serviço mais popular nessa área, foi fundada em 2012, mas só nos últimos três anos é que teve mais tracção. 

Há 16 anos, já tinha sido Primeiro Ministro, um tal de António Guterres que tinha uma paixão pela educação, e Portugal estava prestes a ter um tal de José Sócrates que quis revolucionar o ensino em Portugal com computadores para todos os jovens, os Magalhães.

Isto são dois exemplos, mas temos mais de 15 anos de história de coisas que davam jeito para a pandemia. Agora, a menos de duas semanas do primeiro aniversário do confinamento inicial, Portugal está fechado, sem que haja qualquer noção de como abrir o país, apesar de já terem aberto o país uma vez há uns 10 meses.

Como é possível ser-se menos preparado à segunda vez do que à primeira? Que dizer que gente deste calibre ganhe eleições repetidamente? À primeira caem todos, mas cair-se tantas vezes demonstra qualquer distúrbio mental.

E a Comunicação Social todos os dias a elogiar um desempenho medíocre. Ao menos que haja silêncio em vez de disseminação de mentiras e branqueamento de incompetência.

sábado, 6 de março de 2021

Version 3.305

Hoje acordei com a notícia do Politico sobre a Presidência de Portugal da UE na minha caixa de mensagens.É mesmo provinciano e de mau tom, dada a situação mundial. Imagine-se os repugnáveis da UE quando virem que irão ter de pagar mais para financiar a UE, ao mesmo tempo que se recordam que Portugal disse que precisava de gastar o dinheiro em fatos para motoristas que não precisam de levar ninguém a nenhum lado.

Não foi nada que eu não previsse ir acontecer e até aposto que vamos ter notícias deste tipo por vários meses após terminar a presidência de Portugal. E nem é grande mérito meu, pois é fácil fazer previsões quando se trata do PS, é sempre a mesma coisa. Continuará a acontecer até um dia alguém se fartar e partir a loiça. Afinal, o que não falta na história de Portugal são golpes.



sexta-feira, 5 de março de 2021

Version 3.304

Finalmente, tivemos dois dias de sol seguidos. Um tempo fabuloso, óptimo para ficarmos em casa a trabalhar em frente ao computador. Estou a gozar... A meio da tarde fui passear com o Julian e encontrei um dos meus vizinhos a trabalhar no jardim. Estava a retirar os restos de dois cedros que tinham caído com o peso do gelo e da neve durante as tempestades. 

No boletim mensal da vizinhança, que foi entregue hoje, uma foto mostrava duas árvores caídas a bloquear um dos becos de serviço e um vizinho agradecia outros vizinhos pela ajuda em retirar as árvores do caminho para assim conseguir conduzir o carro até à garagem. Um outro vizinho agradecia um casal por ter andado a bater de porta em porta para se certificar que os vizinhos estavam bem. Há muitas pessoas reformadas na vizinhança e é simpático que os vizinhos cuidem uns dos outros.

Quando vi o vizinho a retirar as árvores caídas aproveitei para lhe perguntar como é que ele cuidava das dálias, dado que vi que tinha plantado algumas na primavera passada. Disse-me que não as tinha desenterrado no final da estação e que pensava que teriam morrido com o frio. Trocámos mais algumas impressões sobre jardinagem e, no final, desejou-me um óptimo passeio, que desfrutasse o tempo fantástico de hoje. Fui-me embora, mas esqueci-me de lhe perguntar o nome. Terei de conversar com ele outra vez.  

quinta-feira, 4 de março de 2021

Version 3.303

Diz o povo sábio, mas eu tenho sérias dúvidas que tal seja o caso do povo português, que a tua fama longe soa e mais depressa a má do que a boa. Pois hoje, calhou enviarem-me o que o José Miguel Júdice escreveu acerca da Susana Peralta, mas para dizer mal dele. 

O argumento da Susana de um aumento de impostos tem sido debatido em vários países (ver Reino Unido, EUA, França). A peça do Le Monde invoca mesmo uma situação semelhante que foi corrigida fiscalmente: o imposto extraordinário dos pós-grandes guerras mundiais que serviu para atenuar o sentimento de injustiça sentido pelos que combateram na linha da frente das guerras versus os que beneficiaram das guerras, mas não estiveram expostos a risco. 

A pandemia voltou a evidenciar o problema de como valorizamos o trabalho: quem fica a trabalhar em casa costuma ganhar muito mais dinheiro do que muita gente que é considerada essencial, mas não pode trabalhar em casa, e, como tal, em situações deste tipo quem é essencial está exposto a mais risco, apesar dos salários mais baixos. 

Criar um imposto que incida sobre o rendimento dos que ficaram em casa é apenas uma forma de corrigir esta falha de mercado, para além de financiar parte dos custos adicionais de lidar com a pandemia. Por exemplo, um estudo do Deutche Bank, no ano passado, propôs um imposto de 5% sobre quem trabalhar de casa após a pandemia que podia ser usado para financiar os trabalhadores essenciais.

Acho a proposta da Susana completamente razoável. Tratá-la como se ela tivesse enlouquecido ao avançar uma ideia que está a ser discutida noutros países é que demonstra falta de razão.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Version 2.302

Daqui a uns anos, vamos olhar para a pandemia como uma oportunidade perdida. Podíamos ter passado este tempo a tentar melhorar um sistema e uma economia que claramente não funcionam; em vez disso, o nosso maior esforço é tentar manter o sistema antigo, mesmo que fique um bocado pior. 

Por exemplo, na questão da abertura de escolas. Podem abrir as escolas à vontade, mas os alunos que estavam em situação precária ficaram em situação pior durante a pandemia, se calhar com os pais desempregados, ou perderam a avó que tomava conta deles, etc. Tentar abrir as escolas no modelo anterior serve apenas para descanso de consciência da sociedade. 

Podia juntar-se um grupo de pessoas capazes e arranjarem um plano inovador de abertura das escolas. Eu acho que seria interessante desenvolver um modelo com apoio da sociedade civil, tipo uma rede de voluntários e mentores que iriam apoiar os alunos mais carenciados. Talvez os ajudassem a fazer trabalhos de casa, ou liam-lhes histórias pelo computador, ou treinavam as capacidades sociais, ou conversavam com eles sobre os seus receios, etc. 

Cada criança devia um mentor que servisse apenas para melhorar o bem-estar da criança. É frequente estas dinâmicas existirem para os alunos que têm famílias com recursos,  em que os pais ou outros familiares passam bastante tempo a pensar no que é melhor para os miúdos, mas os alunos mais carenciados não costumam ter esta rede de apoio. Se todos os alunos tiverem acesso a Internet, até pessoas fora de Portugal podiam ajudar.

Mas percebo, anda tudo com os nervos em franja e é difícil pensar em inovar nesta altura. 

terça-feira, 2 de março de 2021

Version 2.301

Saiu um artigo no NYT acerca do impacto da pandemia na receita fiscal dos estados americanos. O efeito não é uniforme, mas há bastantes estados que estão ou tão bem ou melhor do que antes da pandemia. Há alguns que estão pior, como o Texas, cuja receita fiscal desceu 10,4%, mas o estado de Washington e a Califórnia subiram ambos. Idaho teve o record de subida talvez porque os residentes da Califórnia se tenham mudado para lá à procura de sítios mais em conta para viver.

O que é de salientar é que o país aprendeu imenso com a crise subprime e desta vez não foram forretas no apoio via política fiscal. No entanto, também temos de admitir que, se o Presidente tivesse sido democrata e o Congresso republicano, as coisas não teriam sido tão céleres. Só que, se o Presidente tivesse sido democrata, talvez nem tivessemos pandemia.

Nunca percebi muito bem como é que as pessoas acham que os americanos não valorizam as pessoas porque se valorizassem, teriam uma política social mais forte. As pessoas são muito mais valorizadas nos EUA do que na Europa, basta ver o valor das indemnizações por negligência. Muitos americanos são contra um estado social mais forte exactamente porque não querem ser complacentes como acham que os europeus são.

Diz o NYT, que, até agora, os EUA já gastaram mais de 15% do seu PIB em apoios durante a pandemia, o que só é ultrapassado pelo Japão, mas assim que o plano do Biden for implementado, o valor do apoio dos EUA irá aumentar para mais de 24% do PIB, um máximo mundial. Convenhamos que os americanos tinham uma dívida pública bastante baixa, o que lhes deu alguma folga fiscal. As coisas correm mais ou menos à maneira de Keynes, o que, para nós economistas, é sempre interessante. 


   

segunda-feira, 1 de março de 2021

Version 2.300

Choveu quase todo o fim de semana e até tivemos ameaça de tornados. De manhã, quando fui com o Julian passear, estava muito abafado e notava-se que era uma corrente de ar do Golfo do México, quente e húmida. Ao longo do dia arrefeceu, logo suspeito que uma corrente fria passou por cima da quente, o que é umas das causas de tornados. É verdade, a época de tornados já está quase à porta e nem me admiraria que amanhã acordássemos e houvesse notícia de alguns danos. Pensando em coisas mais agradáveis, isto fez-me lembrar as correntes de ar quente em Portugal, quando o vento fica forte. Costumava ir para o cimo da minha rua só para sentir o vento a passar na roupa, mas era um ar mais seco e muito agradável.

Hoje os CDC autorizaram, ou melhor, recomendaram usar a vacina da Johnson & Johnson, que só necessita de uma dose e não precisa de refrigeração, e espera-se que comece a ser administrada ainda esta semana. Isto vai acelerar o processo de vacinação bastante. Quase 15% da população americana já recebeu pelo menos uma dose e mais de 7% já receberam duas. Só 20 milhões de vacinas da J&J irão ser disponibilizadas em Março, mas isso corresponderia a 40 milhões das outras que requerem duas doses, logo não é nada mau. Nem me importava de receber a vacina na J&J; não me está a apetecer levar duas picadelas. Apesar de não sentir muito a dor, a expectativa da picadela é bem pior do que a realidade.

O ritmo de vacinação de Portugal é menos de um terço do dos EUA. Espero bem que acelerem a coisa antes do PM Costa decidir convidar quem está no estrangeiro para ir passar férias a Portugal.