sexta-feira, 29 de maio de 2015

A cadela da Lady Gaga

A cadela da Lady Gaga roubou-lhe o telemóvel e começou a postar no Instagram. "Porque é que isto é notícia?", perguntais vós. Porque é uma oportunidade. Disse a Miss Asia Kinney, a tal cadela:
“I stole Mommy’s cellphone and will be posting photos all day long. I HAVE A BIG ANNOUNCEMENT! I love to eat while I sketch my ideas for the fashionable puppy line I’m starting! I get hooked up with the finest in puppy products, so I really have a knack for what’s quality. My vision is to find creative & functional ways for pets and their owners to bond! ORGANIC GRAIN-FREE LOCAL FARM INGREDIENTS are the best for our body and brain. That’s what I eat! That’s why I’m inspired to also create A Pet Food Line.”

Talvez vocês ainda não se tenham apercebido, mas a comida de cão gourmet é muito cara e lucrativa. Estamos a falar de margens entre preço e custo dos ingredientes acima de 300% (notem que isto não é o lucro, pois esta margem não inclui os custos de produção, mas os lucros também são extremamente altos, mas eu não tenho um valor concreto para vos dar). Isto não irá durar para sempre, porque lucros anormais não são sustentáveis no longo prazo numa economia de mercado.

Há duas vias pelas quais estes lucros irão diminuir: uma é pela entrada de novos produtores, o que irá baixar o preço da comida gourmet de cão para o consumidor; outra é pelo aumento do custo dos ingredientes. Imaginem que não há ingredientes para fazer face à procura. Basta uma companhia, que produza comida gourmet, decidir aumentar a sua produção e os planos encalham logo por falta de ingredientes--foi isto que aconteceu a um cliente meu quando eu trabalhei em consulting. Nesse projecto, tive de ir à caça de fontes alternativas de ingredientes por todo o mundo e de formas como o cliente podia gerir o risco do custo dos mesmos.

As companhias que produzem comida de cão têm de competir por certos ingredientes no mercado de ingredientes para comida humana, que é muito mais caro. E mesmo assim, até para os humanos não há oferta suficiente e as companhias têm de contratar directamente com produtores que produzem commodities de acordo com critérios de qualidade pré-especificados, como é o caso do Chipotle (está na minha lista escrever um post sobre eles).

Logo, quem quer investir em agricultura e pecuária em Portugal, esta é uma óptima oportunidade de especialização: os ingredientes gourmet e biológicos estão em grande falta no mercado, com tendência para a situação se agravar.

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