sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril sempre?

Se no 8 de Março defendi a necessidade da existência de um Dia da Mulher, hoje venho dizer que continuamos a precisar do 25 de Abril. Sem discursos, sem cravos. Só Liberdade e Democracia, que ainda tanto nos falta. Na minha argumentação, podia aludir às notícias da semana sobre uma proposta de alteração às regras de cobertura jornalística das campanhas eleitorais ou sobre enfermeiras mungidas para provar que amamentam. Podia relembrar os resultados das eleições - legislativas, autárquicas, europeias... - de há anos, onde o vencedor tem sido sempre o mesmo (como nas ditaduras travestidas onde se realizam plebiscitos): a abstenção. Podia citar um estudo da OCDE que mostra que, em Portugal, o sucesso escolar dos alunos ainda está muito correlacionado com a sua origem económico-social. Três factos que, na minha opinião, atestam, cada um por si, que 41 anos depois ainda há muito por fazer. Mas prefiro falar do que não vem nos motores de busca. Democracia é uma palavra de origem grega que significa "governo do povo". Popper definiu-a, não enquanto noção de soberania, mas como mecanismo de destituir governantes sem a necessidade de uma revolução. Num país onde o cidadão comum confunde "discordar de X" com "dizer mal de X", não pode haver Democracia. E continua a ser precisa uma revolução: na mentalidade.

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