segunda-feira, 20 de abril de 2015

Imaginar a guerra

Depois de ler o Zé Carlos, lembrei-me de uma entrevista que ouvi na NPR acerca da Segunda Grande Guerra Mundial.

Nos EUA, o final da Segunda Grande Guerra Mundial é muitas vezes ilustrado por uma fotografia que saiu na revista Life e que se refere ao fim do conflito com o Japão:

A ideia que temos é que tudo foi melhor depois do fim da guerra, mas a verdade está longe de ser tão feliz, como relata o Keith Lowe numa entrevista no Fresh Air. A Europa estava completamente destruída, não havia instituições, havia fome, as pessoas prostituíam-se por comida, havia homicídios, e as mulheres que tinham dormido com soldados alemães eram publicamente humilhadas e a sua cabeça rapada.

Isto para além das mulheres que foram violadas por soldados russos, americanos, franceses, e alemães durante e depois da guerra. Os historiadores estimam que dois milhões de mulheres alemãs foram violadas, depois da derrota da Alemanha. Na Noruega, as crianças que foram fruto de relações sexuais com soldados alemães foram ostracizadas e foi-lhes negada a cidadania até atingirem os 18 anos. O governo norueguês chegou a interpelar o governo australiano para tirar essas crianças do país; a Austrália recusou depois de saber que os pais eram alemães.

Durante a entrevista, cuja transcrição está aqui, diz o autor acerca da Segunda Grande Guerra Mundial:

"And [in] America too, this was seen as ... the good war. It was unambiguously a good war; you were fighting against this horrible, evil regime. Things seemed nice and clear-cut then. Now all of this is, of course, a big myth. Things weren't clear-cut. They weren't clear-cut for the British. They weren't clear-cut for Americans either. There were all kinds of complications involved. But it's nice for us; it's cozy for us to remember it this way, because it makes us feel good about who we are and who we've become."

O autor sugere que, hoje em dia, seria difícil imaginar que tais actos pudessem voltar a acontecer. Eu não tenho grande dificuldade em imaginar que, se houvesse um novo conflito, muitas destas barbaridades seriam novamente cometidas. Elas são cometidas todos os dias, basta ler as notícias dos conflitos internacionais que estão a decorrer.

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