quinta-feira, 23 de abril de 2015

O Marco

Hoje vi o Marco outra vez. Ontem o meu carro aqueceu demais--é um carro muito "hot", como eu, se calhar...*--e hoje consegui levá-lo à oficina sem o escavacar por ter aquecido demais. O Marco é um dos rapazes que trabalha na oficina que eu uso e que me dá boleia da oficina para o trabalho e vice-versa, pois as boleias fazem parte do atendimento ao cliente da empresa. É do Equador e já está nos EUA há nove anos, se não estou em erro. Primeiro foi para Miami, na Florida, mas não gostou porque não conseguia sair da comunidade latina, quer dizer, quase que não aprendeu inglês. Depois veio para Houston, já não me recordo quando, e já sabe conversar em inglês. A maior parte das pessoas com quem trabalha são americanas e ele tem de usar inglês para trabalhar. Achei giro, que ele se sentisse mais à vontade no Texas porque, nas notícias, o Texas dá a ideia de ser um sítio muito pouco tolerante de imigrantes.

Na penúltima vez que vi o Marco, ele disse-me que queria arranjar outro emprego. Eu sugeri que ele fosse para uma universidade, mas ele disse que já tinha um curso universitário. Ele tem o curso de Ciências Computacionais (Computer Science) de uma universidade no Equador. Ele gosta do seu emprego actual, mas não acha que seja particularmente estimulante para o seu cérebro, e acha que pode fazer um trabalho mais exigente. Nesse dia, eu sugeri que ele procurasse emprego pela Internet, usando o motor de busca Indeed. Dei-lhe instruções de que palavras chave ele devia usar e de como aquilo funcionava. Sugeri empresas que poderiam usar os conhecimentos que ele tem. Depois disse-lhe para ele procurar exemplos de CVs na Internet para se orientar a criar o seu. Dei-lhe o meu email, caso ele precisasse de alguém para rever o CV em inglês.

Quando eu lhe sugeri para procurar por emprego na Internet, ele disse que ainda não tinha pensado nisso. Parece uma estratégia lógica, mas para quem não está habituado a fazer as coisas assim, por vezes o que parece óbvio é o que distancia a pessoa dos seus objectivos.

Durante a boleia para o trabalho, hoje, perguntei-lhe como ia a busca de emprego. Ele disse que ainda não tinha investido muito tempo. Há coisa de dois meses, ele e a esposa compraram uma casa e, como tal, há um período de ajustamento e de organização da casa. Hoje, disse-me que já estava tudo organizado, já tinha um quarto onde tinha o computador a funcionar. Eu disse-lhe que nesta altura do ano, há boas oportunidades de emprego. Muitos estudantes universitários terminam o curso em Maio, logo as empresas orientam a gestão dos seus recursos humanos para aproveitar e poder escolher os melhores candidatos. Ele ficou surpreendido quando eu lho disse, ainda não tinha pensado na dinâmica do mercado de trabalho dos EUA. É natural porque ele não fez o curso aqui.

Há mil e uma coisas que parecem ter pouca importância, mas algumas pessoas sabem-nas e outras não. Muitas vezes, são as pequenas coisas que fazem a diferença. Quando um balde apara a água de uma torneira a pingar, há uma gota de água que faz o balde transbordar. Essa gota, que parece tão insignificante de pequena que é, é que faz toda a diferença entre conservar o recurso e desperdiçá-lo.

* Já sabem que eu gosto de fazer piadinhas. Vocês têm vidas mais stressadas do que eu, logo sinto-me na obrigação de vos fazer rir ou, pelo menos, abanar a cabeça e queimar uma caloria para ficarem mais perto de um corpo de verão. Não é preciso agradecer, faço-o por gosto...

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