terça-feira, 8 de setembro de 2015

Cuidado com o que desejam...

Na questão dos refugiados da Síria, os EUA têm estado envoltos em silêncio. Uma op-ed de Michael Ignatieff, canadiano, no The New York Times de há dois dias atrás diz que o problema dos refugiados da Síria não é um problema europeu. Termina ele com "God help us if these Syrians do not forgive us our indifference."

No Facebook, para os meus amigos, eu represento o silêncio dos americanos. Algumas pessoas perguntam-me porque é que os EUA não ajudam--os EUA já receberam cerca de 1500 refugiados sírios, mas isso é completamente insignificante comparado com o tamanho do problema. Outras pessoas acusam os EUA de terem causado o problema na Síria por causa da invasão do Iraque, como se isso fosse o único motivo do conflito na Síria.

Depois do fiasco da guerra do Iraque, os americanos foram envergonhados internacionalmente por se meterem em demasiados conflitos internacionais. Um dos trunfos que Barack Obama tinha para ser eleito foi o de ter sido contra a guerra do Iraque. A Síria tem um significado especial para Obama. Em Setembro 2013, o Presidente Putin levou a melhor de Obama na questão da Síria, foi uma derrota política significativa, que serviu os interesses dos Republicanos que argumentavam que os Democratas são fracos em política externa. A intervenção dos EUA no Afeganistão, sob Obama, também é um dos seus pontos fracos, especialmente poque ele é um recipiente do Nobel da Paz.

Obama queria que a comunidade internacional agisse conjuntamente na questão da Síria, mas não conseguiu apoio. A China e a Rússia bloquearam as Nações Unidas de agir. Os EUA recusaram-se a agir uniteralmente e Obama foi humilhado domesticamente por ter falhado, especialmente por ter dito que o uso de armas químicas na Síria seria a "linha vermelha" que despoletaria uma intervenção militar. Não há dúvida que foram usadas armas químicas na Síria, mas os EUA não intervieram.

Em Outubro de 2013, o governo americano teve um shutdown quando os Republicanos tentaram mais uma vez repelir o Affordable Care Act ou Obamacare. O mundo olhou para os EUA em incredulidade por sujeitar a recuperação da economia mundial a salamaleques políticos; Obama não vergou aos Republicanos. Eventualmente, a derrota política na questão da Síria foi relegada para segundo plano, mas, lentamente, os EUA têm recuado do seu papel tradicional de polícias do mundo.

Os défices orçamentais persistentes dos EUA têm sido criticados por europeus, chineses, e russos. Nos últimos anos, as despesas militares americanas foram reduzidas, assim como o foi o número de bases militares no estrangeiro, especialmente na Alemanha. Em 2007, as despesas militares dos EUA foram de 20,9% do orçamento; em 2015, serão de 16%. Em contrapartida, o desempenho orçamental dos EUA tem melhorado--não era isso o que o mundo queria?

Foi em 2011 que eu me tornei cidadã americana. Votei em Obama no seu segundo termo. Não concordo com tudo o que ele fez e o ponto onde eu tenho maiores divergências é exactamente na questão da Síria. Eu achei que teria sido melhor ter-se conseguido uma solução diplomática para esta questão em 2013; no entanto, também não sei muito bem o que os EUA poderiam ter feito quando o resto do mundo não tinha interesse em resolver o problema. Eu fui contra a guerra do Iraque e sou contra uma intervenção militar substancial e unilateral por parte dos EUA na Síria. A meu ver, é mais fácil começar guerras do que terminá-las.

Falar em ajudar os refugiados sírios é moralmente correcto, mas é um paliativo. Eles são demasiados para que todas as famílias sejam adequadamente ajudadas. Gostaria de ver a comunidade internacional dedicar-se a soluções políticas e diplomáticas, acho que só assim se maximiza o número de pessoas que serão auxiliadas.

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