segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Lapso momentâneo de razão

Às vezes, as pessoas acham que eu tenho uma capacidade de encaixe muito grande. Eu bem tento ter, nem sempre sucedo, mas gosto de cultivar o "self-improvement". Vou-vos contar uma das técnicas que eu tenho para lidar com pessoas difíceis. Sabem quem elas são, não sabem? São aquelas pessoas que têm "um lapso momentâneo de razão", como na canção dos Pink Floyd, ou então são aquelas pessoas que estão mentalmente incapacitadas temporária ou permanentemente.

Reparei, há alguns anos, que quando o cérebro não funciona é muito chato porque não há nenhuma indicação física. Por exemplo, se partimos uma perna ou um braço, sentimos uma dor e o nosso cérebro avisa-nos do problema e nós temos também a oportunidade de dizer aos outros o que se passa connosco; imediatamente as outras pessoas recalibram as expectativas quanto ao nosso desempenho e até nos ajudam a ultrapassar o problema.

Quando o problema é no cérebro, isto tudo cai por terra, até porque, muitas vezes, nós próprios não notamos que não estamos bem. Mesmo quando os outros sabem que alguém não está bem, por vezes, é difícil aceitar que alguém não pense bem ou não consiga mudar o seu comportamento. Se lerem o António Damásio encontram vários exemplos disto em pessoas que sofreram traumas cranianos, cujas famílias não conseguem digerir a mudança de comportamento.

O truque é o seguinte: quando uma pessoa parece estar perturbada e/ou diz algo que parece ser uma maluqueira, eu digo a mim própria para imaginar que, em vez de o problema ser na cabeça, a pessoa tem um problema nas pernas e não pode andar. Depois pergunto-me: "Rita, ficarias chateada se essa pessoa, que tem um problema nas pernas, não pudesse correr?" A resposta óbvia é "Claro que não". Então, concluo eu, "Porque é que estás chateada por a pessoa neste momento não conseguir pensar muito bem?"

Funciona quase sempre. Espero que funcione neste período de eleições...

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