quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Fui estúpida...

Ontem sofri de insónia. Acordei antes das quatro da manhã e não conseguia dormir. Então fiz uma coisa má: fui buscar o iPad e abri o Facebook. Ora, a esta hora, já toda a gente em Portugal está bright-eyed and bushy-tailed, especialmente porque estamos em época de eleições.

No Facebook, encontrei um vídeo de uma mãe "anónima", num comício do PS, que queria falar de "sofrimento" porque "sentimentos" não era adequado. A senhora estava exaltada porque o filho emigrou para Pequim, na China, e veio da China de propósito a Portugal para se casar. Casou-se num Sábado, numa festa que durou até às cinco da manhã do Domingo seguinte, na Quinta das Torres. Depois, na Terça-feira, teve de regressar para a China, o que implica que a lua de mel em Portugal foi curtíssima. A culpa desta péssima situação era da governação de Portugal.

Eu ouvi isto a meio da noite e senti-me completamente estúpida. É que eu saí de Portugal em 1997 com um governo PS para os EUA, ainda Portugal estava nos trinques. E depois, quando me casei, não tive dinheiro para me casar em Portugal. O meu vestido, que era de uma loja normal, custou $35.

Pensava eu, que a pessoa com quem eu me casava era muito mais importante do que um casamento enorme para os amigos. Eu só queria aquela pessoa, era tudo o que me fazia feliz. Afinal, esta mãe vem dizer-me agora que não é essa a fonte da felicidade. Era muito mais importante ter uma festa grande e uma lua-de-mel comprida em Portugal sob vigilância da minha mãe.

Casei-me em 11 de Agosto de 2001--exactamente um mês antes do ataque terrorista--, num jardim em Eureka Springs, no Arkansas, ou seja, no cu de Judas. Casámos nesse dia porque uns amigos também se iam casar, à tarde, na parte leste de Oklahoma, perto do Arkansas, logo aproveitámos a viagem, pois Eureka Springs é conhecida por ser um sítio onde é fácil casar. As únicas pessoas presentes foram eu, o meu noivo, e os pais dele.

Nós não queríamos boda, mas os pais dele insistiram em fazer uma festa em casa deles algumas semanas depois. A minha cunhada tratou da comida. Nenhum dos meus amigos portugueses veio, logo a festa não durou até às cinco da manhã, nem causou a exaustão de ninguém, logo pelos cânones portugueses não foi linda. Começou depois do almoço e terminou antes do jantar. E notem que os americanos começam a jantar às 17:30.

A nossa lua-de-mel foi passada em Nova Orleães, durante o Fall Break, que foi em Outubro, porque ambos ainda estudávamos. Fomos no meu carro, um Honda Civic de duas portas pequenino, mas que gastava pouca gasolina. De Stillwater, OK, a Nova Orleães, LA, são para aí 12 horas de carro para cada lado. Só lá estivemos duas noites porque não queríamos gastar muito dinheiro, nem tínhamos muito tempo.

Depois de ouvir a história triste desta mãe, só me resta concluir "Rita, és muito estúpida: erraste no governo, na data, na década, no local e tamanho do casório, no meio de transporte, na duração da lua de mel, no país, e ainda por cima casaste-te com uma pessoa de quem te haverias de separar. Grande idiota, pá..."

P.S. Bem, ao menos casei-me num Sábado.

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