sábado, 26 de setembro de 2015

Jardins e afins...

Ultimamente, quando vou a Coimbra, saio de lá sempre com o coração apertado. Os jardins formais, que fazem parte do meu DNA, estão em muito mau estado. Deixa-me triste porque é como se parte de mim morresse com eles. Algumas das minhas primeiras memórias foram passadas nesses jardins, quando os ia visitar com a minha avó.

O jardim da Avenida Sá da Bandeira tinha o mérito de lá ter patos e eu gostava muito de ir ver os patos e de lhes dar pão. Esse jardim também tem uma outra coisa que me impressionava: o monumento aos mortos da Primeira Grande Guerra, uma estátua de pedra, enorme, e da qual eu tinha imenso medo. Também tinha muita vergonha de ter medo da estátua e numa das minhas visitas com a minha avó, talvez eu tivesse quatro ou cinco anos, não sei bem, lembro-me de caminhar para junto dela para que ela me protegesse daquela estátua assustadora, mas fi-lo de modo a que ela não se apercebesse do meu medo.

O outro jardim que eu gostava de visitar era o Parque Dr. Manuel Braga, na Av. Emídio Navarro, ao pé do Mondego. Esse jardim tinha a particularidade de ter baloiços e eu achava que era uma miúda muito "dotada" porque quando eu entrava no baloiço conseguia começar a baloiçar sozinha, sem precisar de um adulto para me empurrar. Lembro-me que eu tinha perfeita noção da técnica necessária para me baloiçar em condições sem ajuda. Mas sempre fui uma criança muito moderada--gostava muito de me baloiçar, mas não tinha nenhuma atracção por o fazer com muita força, como alguns dos rapazes que eu lá via.

Quando eu vim estudar para os EUA, uma das coisas que mais me encantou na minha universidade americana foram os jardins--também gostei muito que houvesse tanto espaço livre. O campus da Oklahoma State University (OSU) é conhecido por ser esteticamente muito agradável. Alguns dos edifícios são muito bonitos e imponentes como a Edmond Low Library (podem ver uma foto gira aqui) ou a Student Union. Na relva em frente à Edmond Low Library, é comum encontrar-se alunos a jogar "ultimate frisbee" quando o tempo o permite.

Nestes últimos anos, tem-se feito ainda mais esforço para unificar a estética do campus. Alguns dos edifícios feios dos anos 60 e 70 foram destruídos não apenas por considerações estéticas, mas também por questões de segurança porque Oklahoma faz parte de Tornado Alley, uma das áreas mais propícias a tornados nos EUA. A cave da Student Union é um abrigo de tornados e houve uma noite, no início da década de 2000, em que passei lá algumas horas porque estávamos sob um aviso de tornados na zona.

A Student Union da Oklahoma State University é considerada a maior Student Union do mundo e tem até um hotel. Na parte oeste da Student Union ficam os jardins formais da universidade. A forma como os jardins são cuidados lembra-me dos meus jardins de Coimbra. A Universidade de Coimbra (UC) foi fundada em 1290 e a Oklahoma State University em 1890, 600 anos de diferença. Em 1990, celebrou-se o sétimo centenário da UC e o primeiro centenário da OSU; foi nesse ano que eu entrei para a UC.

Em 2015, para celebrar o aniversário da OSU, que fez 125 anos, os jardins formais foram arranjados e incluem alguns elementos decorativos mais kitsch, como um bolo de anos. A mascote da OSU é um cowboy chamado Pistol Pete; podem ver no jardim um arbusto que foi esculpido em forma do chapéu do Pistol Pete e também se vê o Pistol Pete a cavalo. Aqui está um vídeo acerca do trabalho feito nos jardins formais. O edifício que vêem ao fundo é a Student Union.

Uma curiosidade final: o pavimento dos jardins formais da OSU é feito de tijolos. As pessoas ou companhias podem comprar tijolos e mandar gravar o seu nome ou uma mensagem neles. O dinheiro obtido com a venda dos tijolos reverte a favor da universidade.

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