segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A separação das águas?

Em 2012, eu e o Pedro Bação criámos o site Are we going Greek? para podermos seguir o desempenho das economias resgatadas pela troika. A questão que então se colocava era se Portugal (e também a Espanha e a Irlanda) seguiriam o caminho da economia grega, e se o euro sobreviveria.

No início de 2016 podemos dizer que a Irlanda, a economia que começou o processo de ajustamento mais cedo, cortando salários logo em 2009 (quando Portugal os aumentava…), está cada vez mais afastada do restante grupo. Em 2014, o seu PIB ultrapassou o nível de 2007 e em 2015 cresceu cerca de 5%, a taxa de desemprego é já inferior a 10% e os elevados excedentes externos permitiram reduzir fortemente o endividamento externo. Também o endividamento, público e privado, parece estar numa trajectória claramente descendente.

No segundo semestre de 2015, a Grécia, como antecipavam os problemas políticos do primeiro semestre, voltou a entrar em recessão. A perda acumulada de produto desde 2007 é de quase 30%, o desemprego mantém-se próximo dos 25% (apesar da emigração), persistem os défices externos, as taxas de juro de curto e de longo prazo mantêm-se elevadíssimas. Ou seja, oito anos depois do início da crise a economia grega continua sem perspectivas de recuperação.

A recuperação da Irlanda e o regresso à recessão da Grécia torna mais vincada a separação dos países intervencionados. Manter a Irlanda neste grupo serve apenas o propósito de uma análise comparada do desempenho dos países resgatados pela troika.

Apesar da economia espanhola e portuguesa se encontrarem, em termos relativos, mais próximas da economia Irlandesa (recuperação iniciada em finais de 2013, desemprego decrescente, excedentes externos desde 2013, taxas de juro baixas), há vários riscos que se mantêm presentes. 
Em ambos os países os défices públicos persistem, bem como os elevados níveis de endividamento público e privado. No contexto de uma recuperação ainda frágil, estes países continuam muito expostos a variações das taxas de juro. Por último, a estes riscos, é ainda necessário adicionar o risco de instabilidade política e a opção por soluções populistas que abalem a credibilidade que vinha sendo recuperada nos últimos anos.

Continuaremos assim a actualizar este site.

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