segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Um discurso no funeral

Segundo alguns estudos, o principal medo dos americanos é falar em público. O segundo é a morte. Pegando nestes dados, Jerry Seinfeld concluiu que num funeral a maioria prefere estar deitada no caixão a ter de fazer o discurso da praxe. Nos anos 60, o eminente professor James McCroskey espantou-se com a quantidade de suicídios de estudantes da Pennsylvania State University durante a época de exames. McCroskey associou os suicídios ao formato dominante de exame oral e tentou descobrir métodos (ou tratamentos) que pudessem reduzir os níveis de ansiedade comunicativa de estudantes e professores. Nos anos 70 prevaleciam as teorias da aprendizagem e McCroskey acreditava que a apreensão/ansiedade comunicativa era aprendida e, por isso, também podia ser desaprendida. Vinte anos mais tarde, e atendendo ao relativo fracasso dos tratamentos prescritos para a ansiedade comunicacional, o autor, com uma certa tristeza, reconsiderou a sua tese. Os grandes avanços da biologia e das neurociências levaram-no a concluir que muitos dos traços de personalidade que estão por detrás da apreensão/ansiedade comunicacional são inatos. A biologia explicaria 60 a 80% dessas características pessoais e o meio social envolvente os restantes 20 a 40%. Seja como for, tratar de 20% do problema é melhor do que nada. Voltando a Seinfeld: pode ser o suficiente para preferirmos fazer o discurso no funeral.

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