sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Expectativas de moralidade

Hoje não consegui entrar no edifício onde trabalho. As vias de acesso à garagem estavam bloqueadas por seguranças e havia um carro dos bombeiros à porta. Supostamente, esta tarde teremos um exercício de segurança para simular evacuar o prédio, em caso de emergência. Talvez seja a preparação para isso. 

Informei a minha chefe, que ainda não estava no gabinete, pois ela começa a trabalhar em casa para apanhar a abertura dos mercados, de que eu iria ao Starbucks por alguns minutos esperar que o edifício abrisse. 

Sentado à minha frente, no Starbucks, está um homem com vários sacos cheios, sinto o seu odor corporal a dois metros de distância. Julgo que é um sem-abrigo, mas tem uma aparência simpática, parece-me um Pai Natal encardido--se calhar, até é o Pai Natal... 

Neste momento está a dormir, antes estava a consultar a Internet no seu computador. Talvez esteja a fazer tempo para carregar o seu laptop. Estou feliz que esteja aqui, que tenha um sítio quente e confortável para passar uns minutos. O ideal seria que tivesse uma casa, uma família, mas nós ainda não vivemos num mundo ideal, mas temos a responsabilidade todos os dias de contribuir alguma coisa para construir esse mundo ideal. 

Muitas pessoas não se apercebem que basta um evento mau para perdermos tudo o que a nossa vida representa. E mesmo tendo um estado social forte, podemos acabar numa situação má, se tivermos um problema mental e não deixarmos os outros ajudarem-nos. 

Um amigo meu ironizava esta manhã que os mercados são nossos amigos. Os mercados não são amigos de ninguém, nem é essa a função de um mercado. Ao mercado é indiferente quem faz dinheiro e quem perde. É por isso que nos países mais desenvolvidos há leis que regem o mercado e o controlam. As leis e o sistema de justiça, as pessoas e o seu comportamento, são o que impõem moralidade e essa moralidade depende de todos nós, depende da vontade do povo num país onde cabe ao povo eleger os seus representantes. 

Para este homem, um mercado que permita haver uma cadeia de cafés onde ele se pode sentar e estar um bocado confortável é capaz de ser uma coisa boa, desde que quem lá trabalha e os clientes o deixem lá estar. São as pessoas que dão moralidade ao estabelecimento. A moralidade vem de nós. 



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