domingo, 4 de dezembro de 2016

Um déspota

Desde que o Alfred morreu, o cão que me resta, de seu nome Chopper, com 8 anos, decidiu que é o dono da casa. Rotinamente, coloca-se à minha frente e começa a ladrar em tom refilão. Não posso sentar-me ao computador porque sua Excelência não aprova. Se ligo a TV para ver algo no Netflix, só estou em paz se lhe apetecer usar-me como travesseiro de aquecimento. Ia agora escrever um post sobre reformados americanos, mas o meu déspota de estimação informou-me logo que tal não era permitido. Talvez queira ir passear, mas esteve todo o dia de chuva. 

Resignei-me a escrever-vos no telemóvel, apesar de já ter dificuldade em ler letras pequenas, ser preguiçosa para usar óculos de leitura e de a App do Blogger ser uma porcaria. O meu iPad, versão 2, está velho e as apps já não funcionam com grande confiança. O laptop está mais velho do que o iPad e já não confio para usá-lo como laptop, logo prefiro tê-lo numa secretária. Estou aqui a tentar decidir-me se tento educar o cão, fechá-lo num quarto sozinho, que acho uma crueldade, ou comprar tecnologia mais moderna. Depois lembrei-me que o IPad e os computadores são feitos na China. 

Após a morte de Fidel Castro, algumas pessoas contrapuseram a ideia de que os americanos são uma corja consumista, o que é pior do que a corja comunista de Cuba. Uma amiga minha italiana disse que esperava que Cuba não se americanizasse e que ficasse como está. É estranho que ela tenha dito isto porque, quando decidiu fazer um post-doc, foi para os EUA que ela veio, não foi para Cuba. Para fazer férias baratas, foi a Cuba. A China pré-americanização era muito mais pobre do que é agora, mas o ocidente aproveitar-se dos trabalhadores chineses baratos é imoral, até porque cria desemprego nos países do Ocidente, que é outra imoralidade.

Pronto, estou presa na terra dos dilemas morais, com a agravante de ter um déspota como cão e um pseudo-déspota como futuro presidente. O melhor é terminar isto porque temo que o post desapareça, se der um ataque de censura à app do Blogger. Se houver erros, os meus olhos estão como a minha tecnologia: obsoletos. 


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