domingo, 31 de janeiro de 2021

Versão 2.271

Ontem foi um dia muito especial, pois recebi o meu primeiro correio do Brasil: um livro do Paulo Roberto Farias, que uma amiga me ofereceu. Já o tinha tentado comprar antes pela Internet, mas é preciso um número fiscal para fazer compras online no Brasil e eu não tenho. Há algumas semanas, o Paulo perguntou no Instagram se alguém estava interessado em comprar uma cópia e eu aproveitei para encomendar. Tentei transferir o dinheiro via Xoom, que é um serviço do Paypal, que até uso para transferir dinheiro para Portugal, mas não consegui porque alguém no Brasil não autenticou a informação da conta do destinatário.

Passei para o plano B, que foi perguntar a uma amiga brasileira que tinha morado nos EUA como é que ela transferia dinheiro para lá. Prontamente, ofereceu-se para me oferecer o livro e no espaço de minutos transferiu o dinheiro. Não é extraordinário as coisas que os nossos amigos fazem por nós? Fico sempre com a sensação que não mereço estas pessoas, apesar de eu tentar ser uma boa amiga. Para mim, sempre foi muito mais fácil dar do que receber.

Depois do pagamento realizado, tive receio que o livro se perdesse pelo caminho, pois os correios andam péssimos por aqui, logo imaginei que no Brasil também andasse confusão. Para minha grande surpresa, o livro que foi enviado no dia 22 de Janeiro surgiu na minha caixa do correio ontem, oito dias depois. Nunca pensei possível.

A modos que fiquei muito emocionada por a primeira coisa que recebi do Brasil ser um livro e desatei a chorar. Estava eu nestes preparos, quando recebo uma mensagem do Paulo, nem cinco minutos depois de abrir o pacote e ler a dedicatória super-generosa que me escreveu. Contei-lhe da minha emoção e do significado daquele correio e ele também ficou emocionado, pois aquele pacote foi o primeiro que enviou para os EUA. Que coincidência...

Fui agradecer à minha amiga por me ter presenteado uma coisa com tanto significado. Ela é para mim uma pessoa muito especial, pois passámos muito tempo juntas depois de me mudar para Memphis. Foi tão bom ter alguém com quem falar português após ter saído de Houston e de ter deixado os primeiros amigos portugueses que fiz nos EUA. Foi com ela que fui a Nova Iorque pela primeira vez e, na verdade, foi por causa dela que lá fui, pois sempre achei que talvez não gostasse por ser um pouco impessoal dado haver tanta gente. Não sou boa no meio de muitas pessoas, faz-me confusão e tenho tendência para me retrair, logo evito sítios assim. Mas, surprendentemente, e talvez por apenas lá ter estado com amigos, acho Nova Iorque bastante íntima e agradável.

Nesse aspecto, sou bastante sortuda porque há sempre alguém que conheço em quase todos os sítios que visito. Às vezes, nem me lembro que as pessoas estão em certo local, mas como tenho o hábito de meter fotos nas redes sociais sempre que viajo, os amigos apanham-me: "Ah, estás em Minneapolis, queres ir jantar?" Outras vezes, estou em casa e não me apetece ir a lado nenhum, mas alguém me pergunta "Quando é que vens?" e marco uma viagem só para poder estar com aquela pessoa. E mais umas ouras, claro.

No Natal de 2019, uma amiga russa visitou-me e aproveitámos e fomos visitar um museu, a seis horas daqui, em que estava interessada. Aproveitei e marquei dois jantares com grupos de amigos, o que surpreendeu muito essa minha amiga. Achei engraçado. Ela anda sempre a fazer actividades em que conhece muitas pessoas, mas acha que não tem amigos. Depois da pandemia, estou curiosa para ver como iremos reagir a poder estar com desconhecidos outra vez, especialmente os que se tornarão nossos amigos.

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