segunda-feira, 15 de junho de 2015

Palavras de solidão

Há umas semanas, estava eu no Starbucks rodeada de livros. Tenho sempre alguns comigo como se fossem amigos com os quais dou passeios. Um deles era "A Razão do Azul" do Eduardo Prado Coelho, do qual já vos falei várias vezes. Um americano de meia idade, que viu os meus amigos livros, perguntou-me o que eu lia. Hesitei na resposta porque senti, de antemão, o peso da insuficiência das minhas palavras para descrever o que eu lia. Abri uma página, tentei traduzir algumas frases; ele gostou do que eu li. Começámos a conversar e talvez tenha durado uma hora, não sei muito bem. Às vezes, o tempo parece-me uma ilusão.

Lembro-me que algures na conversa se falou de solidão e eu disse que há muitas pessoas que estão sós, mesmo quando acompanhadas. Há pessoas que dormem numa cama com alguém, mas que não partilham a cama; partilham a solidão. Essa imagem nunca é tão forte do que quando eu leio o poema "To you again" de Mary Szybist.

A primeira vez que encontrei este poema tive de comprar o livro e trago-o sempre comigo: é a beleza de livros digitais e smartphones. A minha solidão é partilhada com palavras.

To you again

Again this morning my eyes woke up too close
to your eyes,

their almost green orbs
too heavy-lidded to really look back.

To wake up next to you
is ordinary. I do not even need to look at you

to see you.
But I do look. So when you come to me

in your opulent sadness, I see
you do not want me

to unbutton you
so I cannot do the one thing

I can do.
Now it is almost one a.m. I am still at my desk

and you are upstairs at your desk a staircase
away from me. Already it is years

of you a staircase
away from me. To be near you

and not near you
is ordinary.

You
are ordinary.

Still, how many afternoons have I spent
peeling blue paint from

our porch steps, peering above
hedgerows, the few parked cars for the first

glimpse of you. How many hours under
the overgrown, pink Camillas, thinking

the color was wrong for you, thinking
you'd appear

after my next
blink.

Soon you'll come down the stairs
to tell me something. And I'll say,

okay. Okay. I'll say it
like that, say it just like

that, I'll go on being
your never-enough.

It's not the best in you
I long for. It's when you're noteless,

numb at the ends of my fingers, all is
all. I say it is.

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