terça-feira, 17 de novembro de 2015

Rothko, o princípio

Hoje fui ao Museu de Belas Artes de Houston, onde está a decorrer uma exposição retrospectiva de Mark Rothko, para ouvir o director do museu, Gary Tinterow, conversar com Christopher Rothko, o filho do pintor. Aprendi bastante sobre o artista e o homem.

Aqui vos deixo uma foto com algumas das primeiras obras de Rothko. O quadro em destaque é do seu período surrealista, que antecedeu o período de abstraccionismo expressivo. Este quadro chama-se "Underground Fantasy" (1940) e mostra um conjunto de pessoas no metro. Note-se que, apesar de haver bastantes pessoas, o quadro transmite a ideia de solidão--parecem sós, apesar de estarem numa multidão. A obra explora a experiência do indivíduo enquanto parte constituinte das massas.

Os quadros em segundo plano são abstractos e já se nota a transição do artista para um novo tipo de linguagem. Neste período o artista pintou muitas multi-formas, há manchas de cor que parece que estão no processo de fundir-se para serem qualquer coisa mas ainda não chegaram lá. É um bocado como ver coisas ao microscópio. No outro seminário, na semana passada, em que falaram dos mundos espirituais das obras de Mark Rothko e Roman Vishniac, o orador mostrou algumas das fotos que Vishniac tirava a seres microscópicos. Essas fotos são reminiscentes de alguns quadros de Rothko deste período; no entanto, os dois artistas nunca se conheceram.

Roman Vishniac, corte transversal de uma agulha de pinheiro

Algumas pessoas acham que este tipo de arte não faz sentido, são uns rabiscos ou umas manchas de tinta, umas "sopas de cor", mas a verdadeira intenção do artista é um bocadinho mais complexa. Especialmente no caso de Rothko, vale a pena pensar na obra dele como sendo um diálogo com o espectador. No início, ele ainda estava à procura da linguagem com que queria comunicar e por isso aderiu ao movimento surrealista, mas este é abandonado durante o processo de desenvolvimento da sua própria linguagem. Depois de a encontrar, e à medida que a consegue dominar melhor, usa-a para guiar o espectador num certo rumo, exigindo que o espectador dê cada vez mais de si para apreciar a obra.

Fico-me por aqui hoje, mas há muito mais para dizer sobre isto...

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