segunda-feira, 23 de março de 2015

O inferno das meias

Aqui há uns meses, eu disse qualquer coisa no Facebook que foi controverso: houve pessoas que concordaram comigo e outras que acharam que a minha opinião era má e eu devia era estar calada. Infelizmente, já não me recordo do que eu disse, mas eu ter uma opinião diferente das outras pessoas é uma coisa muito comum. Eu até gosto muito de ouvir opiniões contrárias à minha porque assim mostram-me um ponto de vista diferente, e obrigam-me ou a mudar a minha opinião ou a refinar o meu argumento. O que eu não gosto mesmo é que me mandem calar mas não contribuam para a discussão das ideias, ou seja, não me dão nada que me faça mudar de opinião.

Então nesse dia em que eu disse qualquer coisa maluca, como é meu hábito--vocês já sabem que eu demonstro grande paixão em dizer coisas malucas--, uma senhora disse qualquer coisa como "A Rita devia calar-se e ir cozer meias." Eu fiquei chateada com isto, não porque ela me mandasse calar, mas porque parecia que tratar de meias era uma actividade inferior, género qualquer coisa que se faz no inferno para castigar as pessoas. A minha mãe ensinou-me a remendar meias e eu lembro-me de, na caixa de costura dela, ela ter umas ferramentas que serviam para reparar malhas caídas nas meias. Na minha caixa de costura, tenho o ovo de madeira que a minha mãe usava para reparar as meias.

Depois havia a questão de "cozer meias". Respondi à pessoa que "cozer" é uma actividade que se faz na cozinha, logo ela devia querer dizer "coser", que é o verbo que tem a ver com costura. Mas, mesmo assim, não seria muito correcto, pois as meias não se cosem, remendam-se, e eu até sou exímia a remendar meias.

Mas estão a ver? A Margaret Albright tem razão: há mulheres que são mázinhas para as outras.

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