segunda-feira, 16 de março de 2015

Pessoas direitas

Quando estava a ler as notícias acerca da situação do Brasil, encontrei uma peça de opinião da revista Veja que achei muito boa. O autor, Reinaldo Azevedo, toca em muitos pontos que eu acho relevantes, nomeadamente a utilização de partidos políticos para calar as pessoas. Se se fala contra o governo identificam-nos como sendo da oposição e o partido do governo achincalha-nos por "sermos" desse partido; se se fala contra a oposição acontece-nos o contrário.

Eu não sou de nenhum partido, nem nunca seria, pois não tenho talento para pertencer a coisas onde a mais-valia de uma pessoa é medida pela forma como nos submetemos às vontades e ideias dos outros. Prefiro muito mais discutir ideias do que fidelidade cega a certos líderes. Sou, portanto, de acordo com o Reinaldo Azevedo, uma pessoa direita. Diz ele, a propósito dos manifestantes que ontem saíram à rua por todo o Brasil:

É a direita, como eles dizem [apoiantes do governo, nota minha], que vai protestar no domingo? Não! Quem vai protestar no domingo são as pessoas direitas — sejam elas “de direita” ou não. É um ato contra um indivíduo chamado Dilma Rousseff? Não! É um ato contra a impunidade, contra a roubalheira, contra o cinismo, contra a trapaça eleitoral, contra a mistificação. Se essa pauta atinge o governante de turno, e se esse governante é uma governanta, então não há o que fazer.

Os que vão para as ruas estarão exercendo o Inciso IV do Artigo 5º da Constituição, o das cláusulas pétreas, imutáveis. Lá está escrito: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Todos nós sabemos o que nos custou essa carta de princípios, depois de 21 anos de ditadura. Infelizmente, em 1988, o PT se negou a homologá-la, num ato absurdo. Talvez por isso ignore agora os seus termos. Talvez por isso o próprio governo Dilma tenha negociado com black blocs, mas hostiliza quem tem a coragem de mostrar a cara.

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