sexta-feira, 24 de julho de 2015

Outbreak

Não desapareci, mas em Portugal há Wi-Fi em muito lado e funciona em lado nenhum--mas aposto que, se eu fosse a um Starbucks, funcionaria. Tenho de gerir o meu acesso à Internet via telemóvel e a Vodafone até nem é má de todo. Estou tão feliz por não ser cliente da NOS... (Ninguém me pagou para dizer isto, eu é que pago pelo serviço da Vodafone que eu uso.)

No meu segundo voo para Portugal mudaram-me de lugar porque disseram que eu estava a separar uma família. Quando cheguei ao meu novo lugar, já estava ocupado por outra pessoa porque eu estava a separar outra família. Aquele voo tinha muitas famílias e, por uns momentos, pensei que talvez a desaceleração do crescimento da população fosse exagerada, mas era um voo dos EUA para Portugal. O que eu encontrei foi crianças que hoje estariam em Portugal, mas que estão nos EUA porque os seus pais emigraram para lá. Dois dos meninos levavam camisolas da seleção nacional de futebol, mas só falavam inglês. Ainda não falavam português, mas talvez aprendessem algumas coisas nestas férias. Talvez tivessem 4 e 5 anos e notava-se que gostavam muito de Portugal. Era a família deles que eu estava a separar. 

Pediram-me para trocar de lugar e eu troquei imediatamente. Fiquei sentada ao lado de um senhor que não falava nada. Presumi que fosse médico pois estava a ler um artigo dos Centers for Disease Control (CDC) no computador. Como era um voo noturno, tentei descansar o mais possível, mas não cheguei a dormir. 

Quando aterrámos em Lisboa, o meu companheiro de voo estava um bocadinho frustrado por demorarmos tanto tempo a sair do avião. Ele estava em ligação para ir para outro sítio, mas não reparei para que aeroporto se dirigia. Meti conversa. Disse-lhe que seria terrível, se ele tivesse de ficar desterrado em Lisboa. Ele sorriu e relaxou. Depois perguntei-lhe se ele era médico. Ele disse que era epidemiologista, trabalhava para os CDC, em Atlanta e ia em trabalho para algures na Europa porque havia um pequeno outbreak e tinha sido pedida a intervenção dos CDC. Não me disse o que era, nem onde era, apenas consegui saber que era num país desenvolvido e não era Portugal. No entanto, o voo era uma operação conjunta da United Airlines e da Lufthansa, o voo dele foi comprado à Lufthansa, logo talvez fosse algures para o norte da Europa. 

Falámos também sobre os modelos que ele usava e que eram feitos em R, que é o que eu uso para estimar os meus modelos. É uma linguagem muito poderosa, observámos ambos, é muito flexível e dá para sermos extremamente criativos. É o que se chama uma linguagem de quarta geração e é "object-oriented". Para quem se interessa por investigação quantitativa e análise de dados, vale a pena investir na sua aprendizagem. No entanto, é preciso ser teimoso porque tem uma curva de aprendizagem com uma inclinação muito acentuada. 

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