quinta-feira, 7 de julho de 2016

Previsões e aberrações...

Parece que o desvio dos 3, também conhecido por "desvio enormíssimo", é perfeitamente explicável por a administração da CGD ter estimado receitas presumindo que os juros iriam aumentar, quando, na realidade, os juros diminuíram (ver notícia do Jornal de Negócios).

Em primeiro lugar, vale a pena olhar para a média das taxas euribor dos últimos 5 anos:


Acho correcto que em 2012, se tenha presumido que a probabilidade de a Euribor aumentar era maior do que de diminuir, mas à medida que o tempo passa, as expectativas são corrigidas e as previsões actualizadas. Reparem na mudança de ano para ano das taxas, são reduções muito pequenas, logo é difícil para mim acreditar que quem tenha feito as previsões em 2012 tenha presumido subidas bruscas da Euribor quando a economia mundial estava extremamente deprimida. Como não vi as taxas de juro usadas nas previsões, é difícil formar uma opinião acerca de serem números razoáveis ou não.

Parece que o 3, então, é a soma de desvios acumulados nos sucessivos anos relativamente às previsões feitas em 2012. Diz a notícia do Jornal de Negócios que um terço da diferença concentra-se em 2016/2017, o que me confunde. Por um lado, é natural e esperado que o erro da previsão aumente à medida que projectamos valores mais distantes no tempo; mas, por favor, digam-me que a CGD não é gerida em 2016 com base nas previsões do negócio que foram feitas em 2012. E se o PSD/CDS é um governo incompetente porque permitiu que a CGD em 2012 fizesse projecções aberrantes de 2016, 2017, então que podemos nós dizer das projecções de Mário Centeno?

Para ter uma referência da grandeza de desvios, resolvi calcular os desvios das previsões do PS para o PIB de Portugal. Na Pordata, o PIB português de 2015 está estimado em €179.409,60 milhões. Usei esse valor base para calcular o PIB de 2016 de acordo com as diferentes taxas de crescimento que já ouvimos Mário Centeno referir. Também são desvios de mais de mil milhões, mas estes foram feitos num espaço temporal de menos de um ano. Imaginem os desvios cumulativos das previsões do governo a cinco anos...

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